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Expedição científica vê aumento na quantidade e na variedade de peixes no Rio São Francisco

11/11/2021

Na 4ª edição da Expedição Científica do Rio São Francisco, que teve seu 10º e último dia ontem (10), os pesquisadores de oito universidades federais chegaram à conclusão de que aumentou a quantidade e a variedade de peixes no rio, principalmente nos municípios alagoanos de Piranhas e Traipu.
A pesquisadora da Universidade Federal de Rondônia (Unir), Juciele Cavali, falou que um peixe da espécie camurupim com 11kg, foi encontrado durante a expedição.
"Nós observamos um aumento significativo na quantidade de espécies, na diversidade dessas espécies, pegamos um número de espécies bem maior que na vez passada, né? Principalmente na cidade de Piranhas, aqui em Traipu, e espécies com peso, que nas outras expedições a gente não tinha obtido, por exemplo, o camurupim com onze quilos, que a gente nunca tinha encontrado. Esse ano a gente observou que 100% das fêmeas já estavam em algum estágio de maturação gonadal, algumas até já desovadas. Então, isso é resultado de um estímulo maior na parte reprodutiva dessas espécies".
Essa foi a quarta vez que os barcos laboratórios voltaram ao Velho Chico. Cerca de 90 pessoas estavam à bordo, sendo 66 pesquisadores. As coletas e dados serão analisados nos laboratórios da Ufal e instituições parceiras. Os resultados devem ser divulgados ao longo do ano.
O coordenador da expedição, José Vieira, falou sobre a importância do rio.
"Esse rio significa tudo. Significa o alimento, a água pra poder beber, significa a a sua história, a sua cultura. Então, esse rio é tudo pra eles. E essa expedição tá trazendo a condição de poder resgatar essas informações e resgatar a condição de vida que, até então, tá sendo muito deteriorada, tanto pela questão da crise hídrica quanto da regulação e vazão que deixou de existir".
Os pescadores reconhecem que a expedição significa ter chance de voltar a pescar como antes, quando havia fartura no Rio São Francisco. "Desde o primeiro dia que eu fui convidado a participar da primeira expedição, eu senti que era um trabalho sério, senti que era trabalho compromissado e traz benefícios tanto pra população ribeirinha, a qual eu faço parte, quanto para o próprio rio", disse o pescador Rodrigo Vieira Santos.
A expedição também fez parceira com escolas públicas do Sertão, para ensinar aos alunos a reflorestar as margens do rio, e ofereceu palestras para a população ribeirinha sobre como não poluir.
E como os trabalhos foram realizados ainda na pandemia, os profissionais da Universidade Federal de Alagoas (Ufal) fizeram 500 testes de Covid. Todos tiveram resultado negativo para o coronavírus. "Nós estamos com uma equipe fulltime pra testar não só a população, mas a nossa tripulação e dar uma tranquilidade melhor às pessoas", afirma a vice-reitora da Ufal, Eliane Cavalcanti.

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