
09/11/2021
O estado de São Paulo não cumpriu sua meta climática dos últimos anos, a de diminuir em 20% seus gases-estufa até 2020, com base nos números de 2005. Mesmo assim, o atual governo paulista garante que será possível cumprir sua nova promessa, de zerar essas emissões até 2050.
Isso apesar de as emissões terem diminuído apenas cerca de 0,7% em 15 anos, de acordo com os dados recém-lançados pelo Seeg (Sistema de Estimativas de Emissões e Remoções de Gases de Efeito Estufa).
Em 2005, São Paulo emitiu cerca de 142,8 milhões de toneladas de CO2e (leia CO2 equivalente, uma medida que, de forma geral, soma todos os gases-estufa). Desde então, as emissões subiram consideravelmente e chegaram a atingir, em 2013, 170 milhões de toneladas de CO2e.
Em 2020, após um período de queda e com um empurrão considerável da pandemia, o estado chegou a cerca de 141,7 milhões de toneladas de CO2e jogados no ar —pela meta original, esse valor deveria estar por volta de 114 milhões de toneladas de CO2e no ano passado.
Se esse ritmo fosse mantido (o que seria difícil de imaginar, considerando a evolução tecnológica, e a preocupação e investimento mundiais no tema), seriam necessários milênios para esse valor chegar a zero.
Considerando o mesmo espaço de tempo e todo o Brasil, houve uma redução de 19% nas emissões. Mas a situação é bem distinta do contexto paulista.
No país, a principal fonte de emissões é o desmatamento, que, apesar de estar atualmente em níveis altos, ainda está distante dos mais de 19 mil km² derrubados em 2005. Em 2020, a área desmatada foi 10,9 mil km².
O controle da emissões resultantes da derrubada de florestas é mais fácil que o de áreas urbanas, pois não depende de transformações tecnológicas, mas principalmente de ações de fiscalização e políticas públicas de combate ao desmatamento.
A questão climática paulista ganhou recentemente mais terreno, com a participação de João Doria na COP26, a conferência das Nações Unidas para mudanças climáticas, o principal fórum de negociações sobre o assunto no palco internacional.
Ao lado de outros governadores brasileiros, o tucano foi a Glasgow, no Reino Unido, para tentar se afastar da imagem nacional arranhada pela condução da política ambiental sob Jair Bolsonaro. O presidente brasileiro não foi ao encontro.
"É um mundo unido, na defesa do meio ambiente. E o Brasil, através de São Paulo e outros nove governos estaduais, participa, também, defendendo o meio ambiente", disse o governador paulista na conferência.
Doria também anunciou que a Fapesp (Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo) vai investir R$ 100 milhões em pesquisas sobre preservação da Amazônia, em parceria com os estados da região.
Ele não comentou, porém, o fato de o estado não ter atingido a meta de redução de emissões. O compromisso foi instituído na lei 13.798, de 2009, assinada pelo então governador e hoje senador José Serra e por seu secretário do Meio Ambiente, Xico Graziano.
Para terminar de ler esta matéria acesse a Folha de S. Paulo
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