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De onde vem o que eu como: extinção das abelhas pode definir o futuro da alimentação

04/11/2021

Apesar de ser o mel a primeira coisa que vem à cabeça quando pensamos em abelhas, na realidade, ele não é a maior contribuição desses insetos para a nossa alimentação. O café, a maçã, o maracujá e até a soja são beneficiados pelas polinizadoras.
Existem também outros estereótipos sobre esses animais. Já assistiu ao filme “Bee Movie - A História de uma Abelha”? Na vida real, a estrutura da colmeia não é como a retratada. Para começar, quem faz todo o trabalho nessa “sociedade” são as fêmeas. Elas coletam o néctar, o pólen e produzem o mel.
Cabe aos machos, conhecidos como zangões, apenas copular com a abelha rainha para a reprodução, explica Diego Moure, pesquisador sênior da AgroBee.
As abelhas mostradas no filme são de uma espécie que não é nativa do Brasil, a Apis mellifera. No país, as espécies de abelhas solitárias, que não formam colônias, são mais numerosas. Elas também não produzem tanto mel, pois isso dependeria da agrupação e formação de colmeias.
Independente de a qual espécie pertencem, as abelhas são muito importantes para a produção de alimentos. Alguns agricultores buscam alugar colmeias para atraí-las para a lavoura. Um outro caminho é a preservação da mata nativa da região.
Metade das plantas com flores depende completamente de polinizadores para sobreviver, apontou um estudo feito por pesquisadores da Universidade de Stellenbosch, na África do Sul. São cerca de 1.750 espécies de todos os continentes. Desta categoria, as abelhas são protagonistas.
Elas são responsáveis por até 80% das plantas cultivadas presentes na nossa alimentação, apontou a pesquisa da Plataforma Brasileira de Biodiversidade e Serviços Ecossistêmicos (BPBES, sigla em inglês) e da Rede Brasileira de Interações Planta-Polinizador (REBIPP).
Para alguns plantios, como o maracujá, elas são essenciais. Para outros, como o café, elas proporcionam aumento da qualidade, com melhor sabor e nutrientes, e da produtividade, explica Márcia Maués, pesquisadora da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) Amazônia Oriental.
Quanto mais fertilizado é um fruto, melhor o seu desenvolvimento, gerando, por exemplo, uma maçã maior. As abelhas fazem essa fertilização quando vão coletar o pólen.
Existem 2 ganhos ao usar abelhas nas lavouras:

● o direto, que é a melhora do produto oferecido;
● o indireto, quando outros setores agrícolas são beneficiados, como a pecuária, devido à qualidade da soja usada na ração.

Por causa disso, existe um movimento para que estes insetos sejam reconhecidos como um insumo agrícola, assim como os pesticidas e fertilizantes são, aponta Márcia.
“Quando vai planejar uma área agrícola, (o produtor) se preocupa com a fertilidade do solo, qual o material genético que se vai utilizar (..), e porque não se preocupar com o polinizador? É um dos bioinsumos, da mesma forma como existem agentes de controle biológico”, afirma.

Saiba mais no g1

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