
04/11/2021
Pela primeira vez um grupo de investidores brasileiros assume o protagonismo de um posicionamento a favor do clima. Uma declaração pública, firmada por 18 grupos de investidores com mais de R$ 873 bilhões de ativos sob gestão, será lançada em Glasgow, na COP-26. Os investidores pedem ação imediata do governo para, entre outros tópicos, fortalecer a estrutura de fiscalização ambiental e eliminar o desmatamento ilegal e regular mecanismos que dêem preço ao carbono.
A Itaú Asset Management, Sulamérica Investimentos, JGP e Rio Bravo estão entre os signatários. Arien Invest, Blue Macaw, Crescera Capital, Darby International Capital, FAMA Investimentos, FRAM Capital, Indie Capital, Mauá Capital, NEO Investimentos, Núcleo Capital, OABPrev RJ, Quasar Asset Management, RPS Capital e Taler Planejamentos Financeiros também assinam a declaração.
A declaração tem seis pontos que cobram apoio a políticas de transição e enfatiza a necessidade urgente de colaboração entre os setores público e privado para a redução das emissões.
O grupo denominado “Investidores pelo Clima”, formado há dois anos por iniciativa da consultoria Sitawi Finanças pelo Bem, pede o comprometimento do país com a implementação de metas net zero até 2050, com objetivos “claros e ambiciosos”.
A carta posiciona-se favoravelmente ao desenvolvimento de mercados globais e regulados de carbono através do artigo 6 do Acordo de Paris. Pede que instrumentos econômicos e fiscais sejam redesenhados de forma que se “estimule o investimento privado sustentável e de baixo carbono”.
Sugere regular mecanismos domésticos de precificação de carbono em outros setores da economia, inspirados na experiência do RenovaBio.
No tópico sobre metas net-zero até 2050, o documento também pede metas intermediárias.
O último ponto solicita um plano desenhado e implementado de recuperação pós-pandemia que dê apoio à transição para a economia de baixo carbono.
— É raro ver grupos empresariais se posicionando politicamente no Brasil, e principalmente em políticas climáticas, mas isso tem acontecido nos últimos anos O movimento chega agora ao setor financeiro, aos investidores que mobilizam trilhões de reais — diz Gustavo Pimentel, socio fundador da Sitawi Finanças do Bem, consultoria especializada em Finanças Sustentáveis, com apoio do Instituto Clima e Sociedade.
Para Tatiana Assali, responsável pelo IPC liderado pela SITAWI Finanças do Bem e Instituto Clima e Sociedade (iCS), o “posicionamento dos gestores de ativos sinaliza para o mundo que os investidores brasileiros também estão atentos às mudanças climáticas”.
— Mostra que eles entendem a importância desta transição econômica, uma vez que detém o capital para financiar um modelo de desenvolvimento sustentável — diz.
Na nota enviada à imprensa, o vice-presidente de Investimento, Vida e Previdência da SulAmérica, Marcelo Mello, diz que “o enfrentamento da crise climática é um grande desafio para o setor financeiro, pois pode colocar em risco sua estabilidade e o modo como conduzimos nossos negócios atualmente”.
Ele acrescenta que o papel de iniciativas como o IPC é “extremamente relevante, pois traz a urgência da ação e do direcionamento de capital para ações efetivas no enfrentamento [da crise climática], ao mesmo tempo em que formalizam uma agenda prioritária junto às empresas, investidores e governo”.
“O setor financeiro começa a ter uma consciência cada vez maior de seu impacto na geração de externalidades, tanto positivas como negativas, e na transição para uma economia mais regenerativa e inclusiva", disse José Pugas, sócio e head de ESG e agronegócios da JGP, na nota à imprensa.
Na visão de Gustavo Pinheiro, coordenador do portfólio de economia de baixo carbono do iCS, um dos principais desafios para a agenda climática no Brasil é o combate ao desmatamento.
— Gestores de ativos demandando compromissos climáticos do governo significa que o mercado brasileiro está atento ao movimento global de descarbonização da economia nesta década. Há oportunidades em todos os setores, mas para atrair investimentos o governo precisa combater o desmatamento que corrói a credibilidade do Brasil no exterior — diz Pinheiro.
Fonte: O Globo
Projeto transforma crianças da Marambaia em guardiãs do manguezal por meio da música; conheça a iniciativa
13/07/2026
Turista faz registro raro de ´salto´ de tubarão em Ilhabela (SP)
13/07/2026
Projeto ameaça APA da Baleia Franca
13/07/2026
Descoberta no Rio Grande do Sul revela réptil que antecedeu dinossauros e crocodilos
13/07/2026
Super El Niño: o que o Brasil pode fazer antes do clima cobrar a conta
13/07/2026
Amazônia tem menor nível de alertas de desmatamento para o 1º semestre em uma década
13/07/2026
