
21/10/2021
Mergulhadores e moradores de Fernando de Noronha participaram de um treinamento sobre o peixe-leão, espécie invasora e venenosa encontrada na ilha. A capacitação foi realizada pelo biólogo brasileiro Paulo Bertuol, que trabalha no Parque Nacional Marinho de Bonaire, no Caribe, local onde o animal foi identificado em 2009.
Segundo o especialista, é possível dizer que existe uma invasão da espécie em Fernando de Noronha.
“Eu acredito que há uma invasão porque existem locais não explorados pelo mergulho. Nesses lugares há uma grande possibilidade de existir o peixe-leão", afirmou.
As palestras e os exercícios práticos no mar aconteceram até o domingo (17) em Fernando de Noronha. O especialista visitou a ilha a convite do Instituto Chico Mendes da Biodiversidade (ICMBio).
Em Noronha, foram capturados 13 peixes-leão. A última captura ocorreu no dia 14 de outubro e foi feita pela equipe da operadora Águas Claras, que recolheu o animal com vida e o entregou ao ICMBio.
Segundo pesquisadores, o peixe-leão oferece riscos ao meio ambiente e pode causar desequilíbrio ecológico. O animal, que tem nome científico Pterois volitans, pode consumir espécies endêmicas, que só existem na região da ilha.
A primeira captura do peixe-leão em Noronha aconteceu em dezembro de 2020. Esses animais voltaram a ser vistos na ilha no segundo semestre de 2021, com um deles sendo recolhido em julho. Em agosto, foram três animais capturados. No mês de setembro, houve a captura de sete peixes-leão.
Durante o treinamento, o biólogo Paulo Bertuol apresentou um histórico da captura do animal no Caribe e as ações desenvolvidas naquele local, além de fazer comparações com a situação atual de Noronha.
Além disso, o especialista indicou as melhores formas de fazer a captura do peixe invasor e os cuidados necessários para evitar ser atingido por um dos espinhos do animal. Paulo, inclusive, já precisou de atendimento médico por causa do peixe-leão.
O biólogo explicou que é preciso utilizar o arpão em tiros certeiros, para evitar depredar corais. Ele sugeriu uma aproximação lenta do animal e recomendou nunca utilizar o peixe-leão para alimentar outras espécies.
O profissional também avaliou os trabalhos de controle do animal realizados em Noronha, que incluem desde capacitação até a coleta realizada pos profissionais de mergulho.
“Em Fernando de Noronha, eu vejo de forma muito positiva as ações desenvolvidas com a participação das operadoras de mergulho, dos moradores e os trabalhos do ICMBio. O órgão conseguiu atuar rapidamente e realizar um plano de controle”, declarou.
Os participantes da capacitação a consideraram importante. “Esse treinamento vai ajudar nessa nova demanda que encontramos na ilha. Eu não tive a oportunidade de capturar o peixe-leão, mas, se for necessário, estou capacitado. As informações recebidas vão ajudar", disse o instrutor de mergulho José Alfredo Neto.
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