
19/10/2021
A luta contra a mudança climática passa invariavelmente pela redução das emissões de carbono pela China, hoje uma das mais elevadas do planeta e em trajetória ainda crescente.
Segundo o presidente do país, Xi Jinping, as emissões atingiriam um pico ainda antes de 2030 e, graças à política de transição energética, a neutralidade de carbono seria alcançada até 2060.
Ele não detalhou, contudo, como alcançará essa meta extremamente ambiciosa.
Enquanto todos os países enfrentam problemas para reduzir suas emissões, a China tem possivelmente o maior desafio, dado o tamanho de sua população e seu agressivo crescimento econômico.
Suas emissões per capita são cerca de metade do registrado pelos Estados Unidos. Com 1,4 bilhão de habitantes, entretanto, a China libera em termos nominais mais gases nocivos ao meio ambiente do que qualquer outro país.
Tornou-se o maior emissor mundial de dióxido de carbono em 2006 e agora é responsável por mais de um quarto das emissões globais de gases do efeito estufa.
Os compromissos assumidos estarão sob os holofotes na cúpula climática global COP26 neste mês de novembro.
Junto com todos os outros signatários do Acordo de Paris em 2015, a China concordou em fazer mudanças para tentar manter o aquecimento global em 1,5°C acima dos níveis pré-industriais e "bem abaixo" de 2°C.
O país reforçou seus compromissos em 2020, mas o Climate Action Tracker, um grupo internacional de cientistas e especialistas em políticas para o clima, aponta que as ações tomadas para cumprir essa meta são "altamente insuficientes".
Reduzir as emissões da China é possível, de acordo com muitos especialistas, mas exigirá uma mudança radical.
O carvão é a principal fonte de energia do país há décadas.
O presidente Xi Jinping afirma que irá "reduzir gradualmente" o uso de carvão a partir de 2026. E que não construirá novos projetos movidos a carvão no exterior - mas alguns governos e ativistas dizem que os planos são pouco ambiciosos.
Pesquisadores da Universidade Tsinghua, em Pequim, dizem que o país precisará parar de usar carvão inteiramente para gerar eletricidade até 2050. O sistema deverá ser substituído pela produção de energia nuclear e renovável.
E, longe de fechar usinas elétricas movidas a carvão, a China está atualmente construindo novas plantas em mais de 60 pontos do país. Em muitos desses locais há mais de uma usina sendo erguida.
Como as novas estações de produção costumam ficar ativas por 30 a 40 anos, a China precisará reduzir a capacidade das usinas mais novas e também fechar as antigas se quiser reduzir as emissões, afirma o pesquisador Philippe Ciais, do Instituto de Ciências Ambientais e Climáticas de Paris.
Pode ser possível fazer uma reforma em alguns deles para diminuir as emissões, mas a tecnologia para fazer isso em grande escala ainda está em desenvolvimento - muitas plantas terão que ser fechadas após o uso mínimo.
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