
07/10/2021
É no alto das árvores da Mata Atlântica do Espírito Santo que vive uma das espécies de ave mais ameaçadas de extinção em todo o mundo: trata-se da Saíra-apunhalada, espécie encontrada apenas na região de Santa Teresa e na Mata dos Caetés, localizada entre as cidades de Castelo e de Vargem Alta, no Sul do estado.
A raridade da espécie se traduz em números, já que atualmente só existem 11 pássaros adultos, todos vivendo em território capixaba. Contudo, o recente nascimento de mais três filhotes da Saíra-apunhalada, que eleva a população para 14 exemplares, acende a esperança de pesquisadores que se dedicam à preservação do pássaro dia e noite.
A fim de não perder nenhum detalhe do desenvolvimento dos animais, a equipe do Instituto Marcos Daniel, responsável pelo Programa de Conservação da Saíra-Apunhalada, montou até um andaime de frente para o ninho, que foi descoberto na Mata dos Caetés.
"A Saíra-apunhalada foi descoberta em 1870. A partir daí, os relatos de observação dela eram muito raros. Em 1998 ela foi redescoberta como espécie, porque ela era tida como extinta na natureza", explica o coordenador do projeto, Marcelo Renan Santos.
O estudante de Biologia Thieres Delaprani Fiorotti chega ao ponto de observação criado no meio da mata por volta das 5h30 e só sai de lá 17h30. Equipado com binóculo e câmera, ele permanece junto dos filhotes durante todo o dia e contou que já tomou alguns sustos, como o dia em que o ninho foi atacado por um tucano, fazendo com que as aves, ainda bebês, se separassem.
"Montamos essa plataforma para pegar o máximo de informações, de dados, vídeos, fotos e áudios para estudo dos especialistas", conta ele.
Caracterizada por uma mancha avermelhada na altura do pescoço, a Saíra-apunhalada pode chegar a medir entre 12 e 14 centímetros. Como machos e fêmeas são iguais, não é possíveis distingui-los ao olhá-los.
Marcelo Renan explicou que este pássaro só vive em áreas de Mata Atlântica densas, acima de 800 metros do nível do mar. Como o desmatamento tornou esses locais cada vez mais raros, a Saíra-apunhalada teve seu habitat natural cada vez mais reduzido e este ainda é um dos principais desafios para garantir a perpetuação da espécie.
"Com a escassez desse tipo de ambiente, esses animais ficaram isolados em blocos de floresta remanescentes. É por isso que hoje ela só ocorre em dois lugares no mundo, que ficam aqui no Espírito Santo. Por isso, uma das estratégias de proteção é proteger o ambiente onde a saíra vive", disse.
Fonte: g1
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