
07/10/2021
Calor extremo causando altas taxas de estresse térmico, redução do desempenho físico e psicológico das pessoas e, consequentemente, a morte, pode ser o futuro da população do Amapá, devido ao desmatamento e às mudanças climáticas na região amazônica.
É o que indica um estudo feito por pesquisadores da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) e Instituto de Estudos Avançados da Universidade de São Paulo (IEA-USP). O grupo avalia que mais de 12 milhões de nortistas, inclusive amapaenses, estão sob risco de morte por calor até 2100.
Conforme o estudo, o cenário não é reversível, mas o futuro de altas temperaturas pode ser freado a partir de boas práticas com o meio ambiente.
Durante a pesquisa, foi substituída a condição natural que é vivida atualmente na região por modelos do tipo savana. De acordo a pesquisadora Beatriz Oliveira, a hipótese é que a floresta pode ser devastada ao ponto de trocar a atual biodiversidade por uma com vegetação predominantemente de plantas rasteiras.
“Existe uma hipótese de que, se a gente desmatar até chegar ao ponto em que a floresta não vai ter mais resiliência, ela vai lentamente se transformar numa savana, num pior cenário possível. A gente olhou esse efeito do aquecimento global com essa savanização. Com isso, o estresse por calor devido ao clima vai ser potencializado”, detalhou a pesquisadora.
Essas mudanças influenciam diretamente nas condições de sombra, umidade e vento, que por sua vez, alteram a sensação térmica e influenciam na saúde da população.
De acordo com a pesquisa, de todos os 16 municípios do Amapá que já possuem riscos causados pelas altas temperaturas, 10 podem chegar ao calor extremo.
Vitória do Jari foi listado como o mais afetado, além de Santana, Mazagão, Pedra Branca do Amapari, Serra do Navio, Ferreira Gomes, Itaubal, Laranjal do Jari, Macapá e Porto Grande.
Entre os municípios, três terão aumento de temperatura de menos de 1 grau e 13 com mais de um grau. Destes, 10 sofrerão um aumento acima de 2,5 graus.
O resultado não considera que a população dos municípios deve aumentar nos próximos anos.
Apesar do Amapá carregar o posto de estado com maior área preservada do país, a pesquisa revela que esse dado não impede o processo de savanização a longo prazo, já que não existem barreiras ou divisões geográficas para o aquecimento global.
"As condições extremas de calor induzidas pelo desmatamento podem ter efeitos negativos e significativamente duradouros na saúde humana. Precisamos entender globalmente que, se o desmatamento continuar nas proporções atuais, os efeitos serão dramáticos para a civilização. Essas descobertas têm sérias implicações econômicas que vão além dos danos às lavouras de soja", disse Paulo Nobre, pesquisador do Inpe e um dos autores do artigo.
Nesse modelo futuro, seria necessário uma adaptação da realidade da região para que, mesmo em condições críticas, todos pudessem viver com saúde.
A matéria na íntegra pode ser lida no g1
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