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Os sapos do tamanho de uma moeda que Brasil pode perder antes mesmo de conhecer

07/10/2021

O sapinho-da-restinga é menor do que uma moeda e, até onde se sabe, só existe dentro de um parque estadual da cidade de Guarapari, no litoral do Espírito Santo. O minúsculo anfíbio, de menos de 2 cm, foi descoberto em 2006 pelo biólogo Pedro Peloso e descrito em artigo científico seis anos depois.
Ainda assim, pouco se conhece até agora sobre o Melanophryniscus setiba (seu nome científico), para além do fato de sua condição ser extremamente frágil.
Desde 2014, o sapinho-da-restinga figura na lista de espécies de anfíbios ameaçadas de extinção, na categoria de criticamente sob perigo.
"Ele só é conhecido em uma localidade, cercada de desenvolvimento urbano. Qualquer distúrbio no ambiente, como um fogo fora de controle, pode levá-lo à extinção", explica Peloso à BBC News Brasil.
A perda de habitats, o desmatamento, as queimadas e o aquecimento global são ameaças, direta ou indiretamente, a muitas formas de vida do planeta. Mas anfíbios anuros, como o sapinho-da-restinga e demais sapos, rãs e pererecas, são particularmente sensíveis a pequenas mudanças de temperatura, a parasitas ou alterações nos locais onde vivem.
Por isso, e por ocuparem um papel importante no ecossistema, sua preservação tem despertado a preocupação de ambientalistas.
Às vezes, esses anuros desaparecem de seus habitats e os biólogos sequer conseguem entender o porquê, diz Pedro Peloso, que é professor de zoologia da pós-graduação da Universidade Federal do Pará e idealizador do projeto DoTS, que registra espécies de anfíbios ameaçadas no Brasil.
Em abril deste ano, um estudo de pesquisadores brasileiros publicado no periódico científico Biological Conservation detectou um "contínuo e críptico" declínio de populações de anuros no Sudeste do Brasil, provavelmente em decorrência das mudanças climáticas.
Em 2018, outro estudo apontou que até 10% das espécies endêmicas de sapos, rãs e pererecas da Mata Atlântica podem ser extintas ao longo de 50 anos, à medida que as temperaturas locais e globais aumentam.
O declínio de populações de anfíbios tem ocorrido em todo o mundo, muitas vezes de modo intrigante para pesquisadores.
Mas o Brasil é um dos países que mais têm a perder em termos absolutos, por concentrar uma variedade tão grande de espécies, explica à BBC News Brasil Felipe Andrade, biólogo e doutor em biologia animal pela Unicamp, que se especializou em micro-sapinhos.
Algumas espécies podem ser perdidas antes mesmo de serem estudadas ou sequer descobertas, diz Andrade.
"Se ainda não conhecemos e descrevemos toda a biodiversidade brasileira desse grupo animal, será que conseguimos estimar de fato tudo que estamos perdendo?", questiona.
Segundo um amplo mapeamento de anfíbios feito em 2019, a América do Sul abrigava mais de 2,6 mil espécies de anuros, e as maiores concentrações dessa biodiversidade eram a Amazônia Ocidental e a Mata Atlântica do Sudeste brasileiro.
Mas o que torna esses animais tão vulneráveis?
"Os anfíbios anuros são um dos grupos animais mais vulneráveis ao aquecimento global, por conta, sobretudo, de suas peles finas e permeáveis, bem como sua dependência da água para reprodução", prossegue Andrade.
"Qualquer diminuição nas chuvas tem implicação aos anfíbios, que precisam de áreas úmidas", agrega Peloso.
No entanto, ainda há muitas lacunas sobre o que a ciência sabe a respeito dos perigos que ameaçam esses animais e quais deles estão sob maior risco.

A matéria completa pode ser lida na Folha de S. Paulo

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