
05/10/2021
A Agência Nacional do Petróleo irá leiloar 92 blocos para exploração e produção de petróleo e gás natural nas bacias de Campos, Pelotas, Potiguar e Santos na próxima quinta-feira (7).
A inclusão de um dos blocos disponíveis na Bacia Potiguar está gerando polêmica e provocando críticas de especialistas. O bloco em questão fica muito próximo a três unidades de conservação e áreas de alta sensibilidade ambiental: o Parque Nacional Marinho de Fernando de Noronha, a Área de Proteção Ambiental em seu entorno e a Reserva Biológica do Atol das Rocas, entre as costas do Rio Grande do Norte e do Ceará.
A possibilidade de leilão para exploração nessa região já provocou reação de diversas autoridades ao longo do ano, e teve, inclusive, um laudo técnico realizado pelo Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) que não recomendava a inclusão do bloco. Em uma nota técnica disponível na página da 17ª rodada da ANP, o instituto afirmou ser "temerária" a inclusão dessa área por causa da proximidade com Noronha e Atol das Rocas, ambos berçários naturais.
Especialistas ouvidos pelo g1 explicam os riscos não só ambientais, mas também socioeconômicos que a exploração pode levar à região.
Suely Araújo, especialista sênior em políticas públicas do Observatório do Clima e ex-presidente do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recurso Renováveis (Ibama) explica que as regiões são de alta sensibilidade ambiental e com muita riqueza biológica.
"Qualquer petróleo nessas regiões vai atrapalhar o equilíbrio ambiental. Qualquer perturbação de atividades humanas pode matar toda a vida que está lá. Essas áreas têm importância ecologica de manutenção da biodiversidade, mas também da manutenção do modo de vida das populações tradicionais", diz. Entre as espécies que podem ser impactadas na região, estão as baleias azuis.
Ela também aponta os problemas que podem ser causados pela água de produção (que é usada na exploração e jogada de volta ao mar). "Tem uma série de padrões de óleo e graxa que precisam ser obedecidos para que voltem ao mar. Mas, por mínimos que sejam as quantidades destas substâncias, elas causam um estrago grande em áreas de fragilidade ambiental".
O professor Luis Enrique Sanchez, da Escola Politécnica da USP, afirma que, durante as atividades de exploração sem as devidas informações, "podem acontecer impactos diretos no fundo do mar e afetar áreas que abrigam uma quantidade de seres vivos". Para Sanchez, também é importante levar em conta a possibilidade de acidentes com vazamento de petróleo e quais áreas seriam atingidas antes de uma ação de contenção do vazamento. Especialmente em uma região tida como muito importante em termos de biodiversidade.
De acordo com o ICMBio, a proximidade entre o bloco e as reservas ambientais pode ser nociva por quatro motivos: "a propagação por longas distâncias de ondas sísmicas, a grande mobilidade de algumas espécies marinhas, a ação das correntes marítimas sobre a propagação do óleo e o histórico de invasão de espécies às atividades de exploração de petróleo e gás".
A matéria na íntegra pode ser lida no g1
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