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No AC, estilista usa insumos amazônicos para tingir ecobags artesanalmente: ‘Colorir o mundo com as plantas’

05/10/2021

O sonho de um planeta com menos poluição e mais sustentabilidade fez com que a estilista Alessandra Dutra, 24 anos, resolvesse se aventurar em um projeto desafiador; usar insumos amazônicos como matéria-prima para tingir ecobags.
É isso mesmo, as bolsas sustentáveis, feitas de crochê com fibras naturais e de algodão, são desenhadas por ela e ganham vida pelas mãos de artesãs locais, moradoras da capital acreana. Após serem confeccionadas, passam pelo processo de tingimento.
Dentre os insumos que Alessandra usa para fazer o tingimento das bolsas estão: a catuaba, romã, teca, crajirú e açafrão da terra. O processo de tingimento até a secagem leva até 14 horas.
Alessandra conta que se formou pelo Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial no Rio Grande do Norte (Senai-RN) e começou a estudar insumos amazônicos para o tingimento natural há pouco mais de um ano.
“A inspiração foi trazer a exuberância da natureza em forma de peças do vestuário e levar a Amazônia para outros lugares através das plantas, raízes-do-brasil e ervas. A Uze Amazônida nasceu do desejo real de tingir o mundo com as plantas, a biodiversidade e a sustentabilidade. Isso foi o que me motivou, poder mostrar o que podemos fazer com insumos naturais daqui”, conta.
Ela fala que alguns insumos são plantados por ela, mas que a maioria ela colhe de plantações de produtores locais. “Hoje, nossa cartela é composta por mais de 10 cores, muitas em estudos e descobertas, respeitamos e alimentamos um ciclo natural das coisas”, acrescenta.
A estilista diz que em sua opinião duas coisas são muito importantes nos dias de hoje: a sustentabilidade e projetar a economia local.
“A maioria dos nossos insumos são plantados aqui no Acre e por pessoas daqui. O Crajirú, por exemplo, é nossa principal fonte de estudos e feitorias. É uma planta nativa da Região Amazônica. Plantada e colhida no Acre.”
Sua marca é autoral e ela fala que tem orgulho de ela ser nortista e de ter nascido no coração da Amazônia, no Acre.
“Apoiamos a moda local e com produtos feitos por mãos daqui. Entendemos a necessidade urgente de uma moda transparente e, por isso, somos a favor de um mercado mais justo, inclusivo, igualitário, por trás de quem pensa, costura, e faz nossas peças”, acrescenta.
Ela fala que tingir as ecobags com insumos amazônicos traz memórias da natureza, faz com que as pessoas que vão adquirir esses produtos repensem em como estão tratando o mundo e pensem na sustentabilidade.
“Tecemos memórias através da natureza e estampamos em nosso peito o orgulho de sermos nortistas. Sim, o tingimento para nós é real, e por isso respeitamos a natureza”, finaliza.

Saiba mais no g1

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