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Como ondas de frio e calor matam homens e mulheres de formas diferentes no Brasil

28/09/2021

Com o aumento de ondas de frio e calor extremos, o impacto das mudanças climáticas na morte de pessoas tem ficado cada vez mais evidente ao redor do mundo.
Pesquisadores calculam mais de 5 milhões de óbitos por ano, principalmente de pessoas com mais de 65 anos.
No Brasil, um estudo pioneiro feito por duas pesquisadoras da Universidade de São Paulo (USP) e um pesquisador da Universidade de Coimbra (Portugal), que ainda não foi revisado por outros cientistas, analisou dados de mortalidade na capital paulista ao longo de uma década e descobriu como temperaturas extremas matam homens e mulheres de formas e períodos diferentes. Idosos são mais vulneráveis às ondas de calor do que as idosas, por exemplo.
A cidade de São Paulo costuma ter temperaturas médias que variam entre 17ºC e 23ºC, mas os episódios de ondas de frio e calor têm sido mais frequentes e às vezes mais longos.
Uma análise de dados globais da BBC apontou que os números de dias de calor extremo dobraram ao redor do mundo desde a década de 1980. Por cerca de 14 dias por ano, entre 1980 e 2009, as temperaturas passaram dos 50ºC. Entre 2010 e 2019, esse número subiu para 26 dias.
Esse aumento é totalmente causado pela queima de combustíveis fósseis, como a gasolina e o diesel, afirma Friederike Otto, diretor do Instituto de Mudança Ambiental da Universidade de Oxford, no Reino Unido.
Em junho deste ano, estima-se que quase 500 pessoas morreram, principalmente idosos que viviam sozinhos, durante uma onda de calor extremo no Canadá. As temperaturas chegaram a 49,6ºC.
Neste ano, São Paulo bateu recordes de temperaturas baixas, chegando a -3ºC em algumas partes. Especialistas explicam que a situação é ainda mais grave em países como o Brasil por fatores como vulnerabilidades socioeconômicas e escassez de habitações preparadas para conter o frio.
Mas por que o corpo humano, capaz de se adaptar aos climas mais diversos do planeta, pode morrer com calor ou frio extremo? Que tipo de doenças preexistentes aumentam as chances de isso ocorrer e o que pode explicar impactos diferentes em homens e mulheres mais velhos?
E o que se deve esperar para o Brasil nos próximos anos, com o crescente aquecimento global?
"A gente fez um estudo e identificou que o clima já está mudando de alguma maneira em todas as regiões do Brasil. Sejam temperatura, chuvas... Esses eventos que observamos nas últimas décadas já são o sinal da mudança do clima", afirmou à BBC News Brasil Lincoln Muniz Alves, pesquisador do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) e um dos autores do relatório mais recente do IPCC, braço da Organização das Nações Unidas (ONU) para o clima.
O estudo assinado por Sara Lopes de Moraes e Ligia Vizeu Barrozo, ambas da USP, e por Ricardo Almendra, da Universidade de Coimbra, se debruçou sobre dados municipais de mortalidade e indicadores de temperatura e umidade de 2006 a 2015 em São Paulo, cidade de verões quentes e úmidos e invernos secos.
Com os dados à mão, os pesquisadores separaram por sexo informações diárias sobre mortes por doenças cardiovasculares e respiratórias.
Segundo o estudo, 151 mil pessoas com mais de 65 anos morreram em São Paulo de 2006 a 2015 em decorrência de doenças cardiovasculares e 64.778, de doenças respiratórias. Entre elas, 56.885 óbitos foram registrados como doença isquêmica do coração e 38.084 por doença cerebrovascular, como acidente vascular cerebral isquêmico e hemorrágico.

Saiba mais acessando o g1

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