
23/09/2021
A mancha de poluição no rio Tietê voltou a apresentar queda, mantendo, dessa forma, a tendência de melhora na qualidade da água do corpo d´água.
O rio possui 85 km de água tida como ruim, segundo levantamento anual feito pela ONG SOS Mata Atlântica e lançado na quarta-feira (22), com apoio do Ypê, no dia do Rio Tietê. Esse espaço se divide em dois trechos: entre a cidade de Suzano e a Ponte das Bandeiras, em São Paulo; e no município de Porto Feliz. Nesse locais, a água é imprópria para usos e inadequada para a vida aquática. No ano passado, o valor era de 150 km.
Também aumentou a extensão do rio com água boa, que foi de 94 km (no ano passado) para 124 km. Somada ao trecho com qualidade regular, o Tietê já soma 407 km (70,6% do percurso monitorado) com água que permite presença de vida e diversos usos.
Apesar da boa notícia, uma parte do retrato não pode ser vista claramente neste ano. Mais uma vez, porém, a avaliação não pôde ser feita integralmente. Por causa da pandemia, não houve avaliação de 84 km de rio —em 2020, foram 44 km não avaliados.
A ONG avalia, anualmente, através de pontos de coleta, os 576 km do Tietê, partindo da nascente, em Salesópolis, até o reservatório de Barra Bonita.
Segundo a avaliação, a última década do Tietê se dividiu em dois momentos. Na primeira metade dela, houve piora da situação geral do rio, com mais esgotos sem tratamento lançados nele resultando em crescimento de qualidade de água ruim ou péssima, conjunto que chegou a somar 48,6% da extensão do curso d´água.
Desde 2016, porém, a situação vem melhorando, apesar de ainda hoje nenhum ponto de coleta analisado ter qualidade de água ótima no rio —mas, ao mesmo tempo, não há pontos péssimos no curso principal.
Segundo Gustavo Veronesi, coordenador do projeto Observando os Rios, da SOS Mata Atlântica, os rios têm o potencial de contar uma história sobre o local e sobre o que é feito em volta dele, na bacia hidrográfica.
"O rio Tietê nos conta que temos um caminho grande de tratamento e coleta de esgoto", afirma Veronesi. "Melhorou muito do que era na década de 90, mas já deveria ter sido solucionado, após 30 anos."
Segundo o representante da SOS Mata Atlântica, é preciso cuidado ao comparar a realidade brasileira, mais especificamente de São Paulo e do Tietê com exemplos internacionais, como o caso do rio Tâmisa (que passou por um profundo processo de despoluição), em Londres.
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