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Desmatamento é principal causa da ameaça de extinção do sauim-de-coleira em Manaus, diz biólogo

21/09/2021

Símbolo de Manaus, o primata sauim-de-coleira (Saguinus bicolor) está ameaçado de extinção. Para o biólogo da Universidade Federal do Amazonas, Marcelo Gordo, o desmatamento é a principal causa da ameaça de extinção da espécie - que depende da floresta.
"Em primeiro lugar, a grande ameaça que existe é o desmatamento. É uma espécie de primata dependente de floresta. Não necessariamente de ser uma floresta primária, bem conservada, pois uma floresta secundária, como por exemplo, o Parque do Mindu, é suficiente para manter os bichos ali dentro, saudáveis, mas tem que ter floresta. Tem que ter árvore, tem que ter frutos dessas árvores que vão alimentar os sauins", explicou o biólogo.
Segundo o Plano de Ação Nacional para a conservação da espécie, que Marcelo Gordo também participou, os sauins já adultos pesam entre 450 e 550 gramas e medem de 28 a 32 centímetros de comprimento, com uma cauda fina de aproximadamente 38 a 42 cm.
A espécie apresenta unhas em forma de garras, que facilita o deslocamento vertical pelos troncos e a captura de insetos ou pequenos vertebrados em frestas na vegetação
Ainda segundo o Plano de Ação, o nome sauim-de-coleira é justificado porque os animais têm "uma pelagem branca que abrange a região posterior da cabeça, o pescoço, os membros superiores e a região do tórax. Já na região dorsal, nos membros inferiores e na face interna da cauda os pelos variam da cor marrom alaranjado a marrom-escuro ou marrom-claro, sendo o dorso da cauda de pelagem negra".
Além disso, a espécie possui comportamento diurno, que inicia as atividades entre 06:00 e 06:30. Eles repousam entre o final da manhã e o início da tarde, e procuram o local de dormir cerca de duas horas antes do pôr do sol. Se abrigam para dormir em emaranhados de cipós, no topo das árvores mais altas, na base das folhas de palmeiras.
Para o biólogo, acompanhado do desmatamento como ameaça da espécie, outro problema é a fragmentação do ambiente. "Ou seja, vai ficar um pedaço de floresta aqui, outro lá longe, e isso acaba gerando também um transtorno que cria uma situação que coloca os animais em risco. Eles vão ter uma bota de floresta e de contato com os seres humanos, cachorros, choques elétricos, vão atravessar de um lugar para o outro e morrer atropelado", explicou o estudioso.
O atropelamento é um caso sério, principalmente na capital, segundo o biólogo. Na zona rural, ele considera o atropelamento também grave, mas disse que há, relativamente, poucas estradas asfaltadas. "Proporcionalmente, um problema um pouquinho menor do que na cidade", disse.
Há também acidentes com animais domésticos, como cachorros, e também maus-tratos, captura e cativeiro.
Questionado sobre o número de animais, o biólogo disse que a população, no total, gira em torno de 30 mil exemplares no Amazonas.
“A população como um todo gira em torno de 30 mil indivíduos, isso a distribuição total no estado. Manaus, talvez, entre 1 mil e 1,5 mil indivíduos na cidade. No campus da Ufam, que é o maior fragmento que a gente tem dentro da cidade, não passa de 150 exemplares”, contou.

Para saber mais acesse o G1

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