
21/09/2021
Os mamutes lanosos podem voltar à vida na Terra, se depender de um grupo de cientistas e empresários que já recebeu de patrocinadores US$ 15 milhões (cerca de R$ 78 milhões) para isso.
A quantia destinada à empresa Colossal ajudará no desenvolvimento de tecnologias de engenharia genética que poderão criar um híbrido do mamute com o elefante asiático, chegando o mais próximo possível dos mamutes que já habitaram o planeta. Alcançado este objetivo, o próximo passo seria povoar partes da Sibéria com esses animais, buscando o reequilíbrio ambiental.
"Isso fará toda a diferença no mundo", comemorou o biólogo George Church, da Escola Médica da Universidade Harvard, nos Estados Unidos, em entrevista ao jornal americano The New York Times.
Nos últimos oito anos, Church passou boa parte do seu tempo gestando o projeto com outros entusiastas da ideia. O ponto de partida do trabalho seria o material genético de restos congelados de mamutes que morreram há muitos milênios.
Mas há também aqueles que se opõem à ideia, citando problemas éticos em resgatar animais gigantes da extinção. Há também a imprevisibilidade de saber como esses mamutes se comportariam na Terra hoje. "Há toneladas de problemas que todos encontrarão ao longo do caminho", opinou Beth Shapiro, paleogeneticista da Universidade da Califórnia, também ao The New York Times.
A ideia de trazer mamutes lanosos de volta foi expressa pela primeira por Church em 2013. Na época, pesquisadores estudavam fragmentos de DNA encontrados em fósseis na tentativa de remontar genomas de espécies extintas.
Church, que estuda novas formas de ler e editar o DNA, se perguntou: é possível trazer uma espécie extinta de volta à vida adaptando o genoma de um parente existente hoje?
Os mamutes lhe parecem os melhores candidatos porque são antepassados próximos dos elefantes asiáticos de hoje: eles compartilham um ancestral comum que viveu há cerca de 6 milhões de anos. Além disso, o DNA do mamute pode ser facilmente encontrado na Sibéria.
O biólogo diz que os mamutes também podem ajudar a restaurar o equilíbrio ecológico: o aquecimento global fez com que as temperaturas aumentassem na tundra da Sibéria e da América do Norte, o que leva à liberação acelerada e em grandes volumes de dióxido de carbono.
Na tundra de hoje, a maior parte é ocupada por musgo, mas, na época dos mamutes, havia pastagens. Biólogos acreditam que o mamute servia como um guardião desse ecossistema, mantendo o pasto ao tirar o musgo, quebrando árvores e deixando excrementos abundantes que fertilizavam o solo. Com a volta destes animais, tudo isso poderia ser recuperado e as emissões de dióxido de carbono, contidas.
As ideias iniciais do cientista atraíram a atenção de jornalistas, mas não de investidores: ele tinha conseguido levantar só US$ 100 mil (R$ 520 mil) para sua pesquisa. "Honestamente, eu estava pretendendo trabalhar em um ritmo lento", afirmou Church.
No entanto, em 2019, ele conheceu Ben Lamm, fundador da empresa Texas AI Hypergiant, que, ao ler notícias sobre o projeto, ficou interessado em ajudar nesse resgate do animal gigante. "Depois de passar um dia no laboratório e muito tempo com George, ficamos muito entusiasmados", contou Lamm, que começou então a montar a empresa Colossal.
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