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Cerrado é fundamental para evitar racionamento de água e energia no Brasil; entenda elo com a crise atual

09/09/2021

O Cerrado é insubstituível para a distribuição de água no Brasil. O bioma, por ter o solo mais alto, absorve a umidade e leva água para 8 das 12 bacias importantes para o consumo de água e geração de energia no país. A falta de chuva na região influencia na seca do Pantanal, no Rio São Francisco e até em Itaipu, uma das hidrelétricas do país, abastecida pela bacia do Rio Paraná.
Nesta reportagem, entenda os seguintes pontos:

1) Qual é a influência do Cerrado na distribuição da água no país?
2) O que precisa acontecer para reversão do atual cenário?
3) Qualquer chuva abastece o país?
4) Preservar só o Cerrado resolve o problema?
5) O motivo da atual crise da água é o aquecimento global?


1. Qual é a influência do Cerrado?
Na região da bacia do Rio Paraná, que abastece Itaipu, o Cerrado responde por quase 50% de toda a vazão. As regiões do São Francisco, do Parnaíba e do Paraguai – esta última ligada ao Pantanal - têm uma dependência hidrológica ainda maior: o bioma é responsável por aproximadamente 94%, 105% e 135%, respectivamente, de toda a vazão.
Alguns desses índices são superiores a 100% porque incluem também a precipitação que chega ao solo, mas que depois evapora devido ao sol e às formações geográficas. Esses dados são resultado de pesquisa feita por Jorge Werneck, da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) e diretor da Agência Reguladora de Águas, Energia e Saneamento Básico do Distrito Federal (Adasa).
É por isso que, se não chove no Cerrado, o país inteiro sente. O Pantanal vive a maior seca dos últimos 50 anos, e os motivos exatos ainda são investigados. Mas a seca existe, e, para resolvê-la, é preciso que chova nos dois biomas.
"No verão de 2019 e 2020, choveu menos que o normal. Isso gerou os incêndios no Pantanal e as quedas do rio Paraguai. Entre 2020 e 2021, deveria ter chovido quase 950 mm no total climatológico esperado, e tem chovido menos de 500 mm", disse José Marengo, climatologista, meteorologista e coordenador-geral de Pesquisa e Desenvolvimento do Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden).

2. O que precisa acontecer para a situação melhorar?
De acordo com o climatologista, a chuva precisa chegar no Cerrado e nas regiões afetadas. O Centro-Oeste é fundamental para o abastecimento de água e, consequentemente, para as cidades, para a agricultura e para a geração de energia. Chover é necessidade urgente para evitar um racionamento maior.
"Se você me pergunta: será que em outubro a chuva vai começar na hora certa? Por enquanto, neste momento, é muito cedo para dizer".
Segundo Marengo, os reservatórios estão com água abaixo da média. No caso da bacia do Paraguai, os índices estão ainda mais baixos que durante o ano passado. "Se não tem chuva no Centro-Oeste, você vai ter menos chuva no Rio São Francisco e acaba tendo menos chuva também na bacia do rio Paraguai e na bacia do Rio Paraná".

A reportagem na íntegra pode ser lida no G1

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