
09/09/2021
No Dia da Amazônia, celebrado em 05 de setembro, pesquisadores alertam sobre o avanço no desmatamento do bioma amazônico no Maranhão. Atualmente, o território florestal na região maranhense já conta com menos de 24% do que tinha em 1985, quando começaram as medições.
"Nós estamos muito abaixo do mínimo de floresta. Para se ter uma ideia, se for consultar a Amazônia toda, foi perdido em torno de 17% de território. A Amazônia maranhense perdeu 76% de floresta. Estamos em uma matriz devastada, com um pouquinho de floresta", explica a pesquisadora e ecóloga Marlúcia Martins, do Museu Paraense Emílio Goeldi.
Em números, os dados mais recentes do MapBiomas indicam que o Maranhão tem 11,6 milhões de hectares de floresta. Desse território, 85% ainda com vegetação nativa está em áreas indígenas e Unidades de Conservação de proteção integral.
Em São Luís, as únicas áreas onde ainda resta floresta amazônica estão nas Unidades de Conservação dos Parques do Bacanga e do Rangedor, além das Áreas de Proteção Ambiental do Itapiracó e da Região do Maracanã.
Um estudo publicado por pesquisadores da UFMA, em 2019, revelou que o período mais crítico do desmatamento no Maranhão ocorreu em 2002, e 25 municípios possuem 70% do desmatamento da Amazônia legal no Maranhão. O destaque vai para Barra do Corda e Grajaú.
Os motivos da perda da floresta foram as queimadas por conta do clima, da ação de criminosos e a exploração ilegal de madeireiros, de acordo com os especialistas.
Para o professor de Geografia Física da UEMA, Luiz Jorge Dias, uma das primeiras estratégias de curto prazo para reverter essa realidade é o combate aos incêndios criados de forma criminosa e o controle das taxas de desmatamento. Além do uso da tecnologia, como drones e imagens de satélite, o pesquisador indica a necessidade de um sistema de acompanhamento mais eficiente das queimadas.
"Um sistema de acompanhamento em tempo real, com participação cidadã, de identificação de focos ativos de calor que poderia ser operado através de plataforma de dados em celulares. Essa é uma possibilidade real que poderia atestar os dados produzidos em laboratório, através de análise de imagens de satélite, e direcionar melhor os trabalhos das equipes de fiscalização ambiental e prevenção a desmatamentos e queimadas no território estadual", conta.
Marlúcia Martins explica que não é possível recuperar a maior parte da floresta que existia no passado. No entanto, do que ainda resta, o potencial de regeneração ainda é alto porque o Maranhão possui alguns blocos grandes de mata, facilitando a criação de um ´corredor ecológico´ entre os blocos, o que traria um grande avanço na restauração das áreas desmatadas.
Também é possível que a própria natureza se regenere nas chamadas "florestas secundárias": regiões que já sofreram alguma forma de degradação, mas persistem e, em alguns casos, estão se regenerando.
A matéria completa pode ser lida no G1
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