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Ausência de dados e pluralidade amazônica dificultam pesquisas sobre mudanças climáticas na região oeste do Pará

09/09/2021

“Será que hoje vai fazer sol ou vai chover?”. Parece ser uma simples pergunta para boa parte da população, mas por trás dela há estudos e pesquisadores que "correm contra o tempo" para analisar o clima, impactos e mudanças na vida das pessoas. Embora a resposta à pergunta possa se resumir a uma pequena frase, quanto mais amplas as pesquisas sobre climatologia na região, mais complexo é o trabalho para realizar projeções futuras.
Conhecida como o “coração do mundo”, a floresta Amazônica, que tem dia dedicado à conscientização sobre a sua importância celebrado no domingo (5), é cheia de pluralidade, tornando-a cheia de florestas dentro da imensidão verde que abrange mais de 40% do território brasileiro.
Encabeçadas por professores e alunos da Universidade Federal do Oeste do Pará (Ufopa), pesquisas são desenvolvidas a fim de explicar mudanças climáticas na região. No entanto, devido às características encontradas em campo e ausência de dados de décadas passadas, os estudos esbarram em muitas dificuldades.
A professora do curso de Ciências Atmosféricas Dra. Ana Carla Gomes coordena um grupo de pesquisa com mais de 20 alunos e 14 professores, e um dos projetos é sobre variabilidade das condições atmosféricas na região.
Os estudos são pioneiros na análise de dados armazenados em quatro estações meteorológicas em Óbidos, Belterra, Porto de Moz e Monte Alegre, que juntas apresentam informações distintas umas das outras. O banco de dados é enorme.
Por necessitar de informações coletadas por, no mínimo, 30 anos para compreensão do padrão climatológico.
As pesquisas foram diretamente impactadas pela pandemia, uma vez que impossibilitou a ida dos alunos a campo e aos laboratórios na Ufopa.
“Ausência de dados é a principal dificuldade. Quando se fala de mudanças climáticas, precisa-se, obrigatoriamente, ter uma série temporal longa."
"Se agora temos mais confiabilidade para afirmar que as mudanças climáticas regem as nossas ações, temos que refletir que não é só saber se vamos ter que usar o guarda-chuva em determinado dia, precisamos efetivamente cada vez mais de pesquisa”, explicou Ana Gomes.
A iniciativa para as pesquisas sobre o tema surgiu a partir da observação dos últimos relatórios do Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas (IPCC), que ressaltam que as intervenções humanas têm grande influência nas emissões dos gases de efeito estufa e no aquecimento global.
“O último [relatório] vem com uma maior confiabilidade e uma afirmação muito importante: as mudanças climáticas são influenciadas pelas ações humanas. Então se pesquisadores do mundo começam afirmar isso, a relevância desse tipo de projeto se torna enorme”, disse Ana Gomes.

Saiba mais no G1

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