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Pesquisadores utilizam impressoras 3D para auxiliar no processo de recuperação de corais em Porto de Galinhas

09/09/2021

As piscinas naturais desenhadas por recifes de corais são um dos principais atrativos da praia de Porto de Galinhas, em Ipojuca, no Litoral Sul de Pernambuco. Para preservar essa beleza natural, pesquisadores e voluntários se uniram e utilizam tecnologias como impressoras 3D na missão.
Os corais não são rochas, mas sim seres vivos que formam colônias e servem de abrigo para inúmeras espécies. “A gente tem estimativas que variam de 30% a 80% de redução da cobertura de corais nos recifes brasileiros, de acordo com o local”, apontou a professora da Universidade Federal Rural de Pernambuco (UFRPE) Paula Braga.
Segundo a professora, o aquecimento global, degradação ambiental e agressões causadas por seres humanos contribuem para a redução dos corais, também notada em Porto de Galinhas.
Paula Braga é também pesquisadora do projeto Coralizar, que une forças com voluntários, empresas e ambientalistas para recuperar e plantar corais no balneário do Litoral Sul pernambucano.
O trabalho começa com a coleta de pedaços de corais que serão usados como mudas. Esses fragmentos, explica a professora, são encontrados em abundância no fundo do mar em volta dos recifes.
“Estes fragmentos, às vezes, guardam pólipos vivos [...], [que] são recolhidos, cortados, tratados, colados em berços que são suportes. Estes berços são instalados nas mesas e essas mesas são colocados no ambiente natural”, explicou a professora.
Na biofábrica de corais, localizada na Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), os pesquisadores utilizam impressoras 3D para produzir os berços, que são as estruturas em que são colocados os fragmentos de corais para que cresçam.
Cada berço é diferente e adequado para uma espécie de coral. As mesas, citadas pela professora, são feitas de canos de PVC e viram verdadeiros berçários, que vão para piscinas naturais protegidas da correnteza, das embarcações e dos turistas.
O projeto conta com aliados para cuidar das “plantações” de corais, como o jangadeiro Luis Carlos dos Santos, que trabalha há 29 anos em Porto de Galinhas. Ele fica sempre de olho nos berçários.
“Eu achei a ideia muito bonita e necessária. [Ou] a gente começa a cuidar agora, ou vai perder tudo”, declarou o jangadeiro.
A velocidade de destruição dos corais ainda é maior do que o esforço para recuperá-los, segundo os especialistas, mas a nova tecnologia mostra que a ciência pode ajudar a salvar várias espécies ameaçadas.
“Tem corais que estão dobrando o tamanho em três meses ou em cinco meses, dependendo da espécie e também do manejo que a gente faz, de fragmentar a colônia ou de não fragmentar a colônia. Uma dobra de tamanho é muito maior do que o crescimento natural das colônias no ambiente”, afirmou a pesquisadora.

Fonte: G1

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