
09/09/2021
Um dos dados mais surpreendentes do recente relatório da ONU sobre mudanças climáticas foi a proeminência do metano como gás responsável pelo aumento das temperaturas.
Uma campanha agressiva para cortar as emissões de metano poderia dar ao mundo mais tempo para enfrentar as mudanças climáticas, dizem os especialistas.
O relatório do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC) sugere que entre 30% e 50% do aumento das temperaturas se deve a esse gás poderoso, mas de vida curta.
As principais fontes de metano incluem a agricultura, os campos de petróleo e gás e os aterros sanitários.
Por décadas, os maiores esforços para enfrentar o aquecimento global têm se concentrado em limitar as emissões de dióxido de carbono (CO2) oriundas de atividades humanas, como geração de energia ou desmatamento.
Isso se baseia em evidências científicas, já que o CO2 é responsável por cerca de 70% do aumento do aquecimento global ocorrido desde a revolução industrial.
O metano (CH4), por outro lado, não tem recebido essa atenção.
Isso pode estar mudando, já que um importante estudo das Nações Unidas no início deste ano destacou seu impacto ambiental.
Agora, segundo o relatório do IPCC, calcula-se que o metano tenha acrescentado meio grau centígrado ao aquecimento global.
Então, de onde vem todo esse gás?
Cerca de 40% do metano se origina de fontes naturais, como pântanos, mas a maior parte dele vem de uma série de atividades humanas.
"É uma combinação de origens, da agricultura —incluindo pecuária e cultivo de arroz— à outra fonte importante de metano, que são os depósitos de lixo", diz o professor Peter Thorne, um dos cientistas do IPCC, da Maynooth University, na Irlanda.
"Uma das principais fontes vem da produção, transporte e aproveitamento do gás natural, que tem um nome enganoso, e deveria se chamar gás fóssil", acrescenta.
Desde 2008, houve um aumento significativo nas emissões de metano que os pesquisadores associam ao boom do fraturamento hidráulico, o método de exploração de petróleo em partes dos EUA.
Em 2019, o metano na atmosfera atingiu níveis recordes, cerca de duas vezes e meia maior do que na era pré-industrial.
O que preocupa os cientistas é que o metano é um fator forte quando se trata do aquecimento climático. Em um período de cem anos, ele aquece entre 28 e 34 vezes mais que o CO2.
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