
09/09/2021
Cientistas de várias partes do mundo alertaram, em um editorial publicado na semana passada em mais de 200 revistas científicas, que o fracasso de líderes mundiais em limitar o aquecimento do planeta é "a maior ameaça à saúde global" existente hoje.
O editorial é assinado por 19 pesquisadores de países como Índia, Quênia, África do Sul, Reino Unido, Estados Unidos e Brasil.
"A maior ameaça à saúde pública global é o fracasso contínuo dos líderes mundiais em manter o aumento da temperatura global abaixo de 1,5ºC [desde a era pré-industrial] e restaurar a natureza", dizem os cientistas.
Os pesquisadores listam os seguintes problemas de saúde como alguns dos que tendem a piorar com o aquecimento da Terra:
* mortalidade relacionada ao calor entre pessoas com mais de 65 anos
* desidratação
* perda da função renal
* doenças dermatológicas
* infecções tropicais
* resultados adversos para a saúde mental
* complicações na gravidez
* alergias
* morbidade e mortalidade cardiovascular e pulmonar.
O texto foi colocado on-line em 253 revistas científicas de todo o mundo no dia 4 de setembro, antecedendo três eventos globais:
* a Assembleia Geral da ONU, que será aberta na próxima terça (14);
* a Conferência da ONU sobre Biodiversidade em Kunming, na China, de 11 a 24 de outubro;
* a Conferência da ONU sobre Mudança Climática (COP26) em Glasgow, no Reino Unido, de 1º a 12 de novembro.
Os efeitos do clima extremo e o esgotamento do solo estão "prejudicando os esforços para reduzir a desnutrição", dizem os cientistas.
Segundo o texto, o rendimento global das principais safras de alimentos vem caindo de 1,8% a 5,6% desde 1981.
"A destruição generalizada da natureza, incluindo habitats e espécies, está corroendo a segurança hídrica e alimentar e aumentando a chance de pandemias", dizem os pesquisadores.
Os pesquisadores reforçam a noção de que os países mais ricos têm que assumir maior responsabilidade sobre a condição do planeta – inclusive para ajudar países mais pobres a lidarem com as consequências de uma Terra mais quente.
"Os países que criaram desproporcionalmente a crise ambiental devem fazer mais para apoiar os países de baixa e média renda a construir sociedades mais limpas, saudáveis e resilientes", afirmam os cientistas.
Eles lembram do "compromisso pendente" das nações mais ricas de fornecer US$ 100 bilhões (cerca de R$ 529 bilhões) por ano para enfrentar as mudanças climáticas.
A matéria na íntegra pode ser lida no G1
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