
02/09/2021
Além de serem vitais para a preservação e regeneração da biodiversidade planetária, as florestas caracterizam-se como uma fonte renovável de recursos naturais para diversas indústrias. Sendo assim, o monitoramento constante destes “ativos” é atividade obrigatória para as empresas de base florestal.
Segundo a Indústria Brasileira de Árvores (IBÁ), existem 9 milhões de hectares de florestas plantadas no país e o setor chega a movimentar anualmente R$ 97,4 bilhões, sendo um dos principais responsáveis pelo resultado positivo da balança econômica.
Nesse contexto, a greentech brasileira Treevia Forest Technologies, empresa focada no desenvolvimento de soluções para conectar as florestas na internet, agregando conceitos de BigData, Machine learning e Internet das Coisas (IOT), inova na forma como as florestas são mensuradas e monitoradas.
A empresa desenvolveu o SmartForest, um sistema que permite monitorar as fases de uma floresta e realizar mensurações sem as complicações analógicas comumente utilizadas para este tipo de trabalho. A startup foi fundada em 2016 depois do engenheiro florestal Esthevan Gasparoto, sócio-fundador e CEO, sentir a necessidade de facilitar a coleta de dados em campo e garantir informações mais confiáveis.
“Quando trabalhei com essa área em grandes empresas me senti muito inseguro ao perceber que grandes decisões estratégicas eram tomadas com base em dados quantificados de forma analógica e pouco precisos”, explicou Gasparoto, eleito pelo MIT um dos empreendedores com menos de 35 anos mais inovadores da América Latina (MIT Under 35).
Qual a quantidade de madeira na floresta? Quanto ela cresce anualmente? Este ciclo florestal é sustentável? Para que mais empresas do setor pudessem responder a esta e a outras perguntas de forma segura nasceu a sua vontade de empreender. Junto de outros dois sócios, Emily Shinzato, também engenheira florestal, e Maycow Berbert, atual CTO da empresa, ele lançou a startup com o propósito de aproximar os gestores da floresta por meio da tecnologia.
Após ganhar um prêmio de R$100 mil reais do Santander, a greentech se estruturou e passou a atuar em São José dos Campos (SP). “Nós desenvolvemos um equipamento que mede o crescimento da floresta ao alocar um sensor no tronco das árvores. Nosso modelo de negócios oferece uma ‘floresta inteligente’ para o nosso cliente, onde um sistema na web é criado para monitorar e quantificar florestas de forma 100% online, utilizando dados que podem vir do método tradicional, planilhados analogicamente ou podem vir do nosso aplicativo que acrescenta uma camada de segurança da informação mais robusta”, explica o engenheiro.
Por meio do app, o cliente pode fazer o rastreamento de toda a informação de cada dado da floresta, conferindo maior confiabilidade às informações. As empresas passam, então, a acompanhar suas florestas digitalmente: crescimento, incidência de pragas e a possibilidade de precipitação e de incêndios, entre outros.
“Nós também geramos impacto social a partir do momento em que capacitamos os profissionais que antes realizavam essas mensurações e monitoramentos analogicamente para poder instalar os nossos equipamentos e permitir o trabalho automatizado. Esses profissionais do campo se tornam parte desse processo", constata.
Com investimento de mais de R$ 6 milhões nos últimos 5 anos e com 150% de crescimento no último ano, a Treevia trabalha hoje com empresas de base florestal, que plantam árvores para abastecer cadeias produtivas; de papel e de celulose, de chapas e painéis de madeira, bioenergia, metalúrgica, químicos e fármacos, entre outros. Entre seus clientes estão Suzano, CMPC, Cenibra, Veracel e Radix Investimentos.
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