
24/08/2021
Membros do Instituto Floresta Darcy Ribeiro (AmaDarcy) entregaram ao presidente do Instituto Estadual do Ambiente (Inea), Philipe Campello Costa Brondi da Silva, na última segunda-feira, um relatório que aponta despejo irregular da Estação de Tratamento de Esgoto de Itaipu (ETE Itaipu) em afluente do Córrego dos Colibris, que deságua na Lagoa de Itaipu. Um exame laboratorial atestou a presença excessiva de substância do esgoto no local. O Inea diz que analisa o relatório para tomar providências. A Águas de Niterói alega que a ETE está licenciada e opera normalmente, dentro dos padrões e das normas técnicas.
Segundo o relatório, no dia 2 de julho foi realizada a amostragem do efluente pelo Centro de Biologia Experimental Oceanus Ltda, um dos laboratórios credenciados pelo Inea para aferições, que constatou dois parâmetros fora dos padrões de lançamento de efluentes líquidos estabelecidos pela legislação estadual. A concentração de fósforo total detectada foi de 1,71 miligramas por litro. O valor máximo permitido é um miligrama por litro. Outra característica fora do padrão que foi detectada é a coloração da água. A engenheira química Katia Medeiros DuBois, técnica ambiental aposentada da FAO/ONU e membro da AmaDarcy, diz que o fósforo é uma substância comumente presente no esgoto.
— O esgoto é basicamente formado por fósforo e amônia. Se essa substância está ali no afluente em quantidade elevada é porque o tratamento não está correto — explica.
Considerando a vazão da ETE, o relatório estima que, em 2 de julho, o afluente pode ter lançado 24 quilos de fósforo no Córrego dos Colibris. Isso seria o equivalente a 727 quilos de fósforo por mês ou 8,7 toneladas por ano.
A Águas de Niterói diz que a ETE Itaipu é monitorada e fiscalizada pelos órgãos ambientais. Em nota, alega que “nos últimos 12 meses, a média da concentração de fósforo total detectada nas análises dos efluentes tratados na ETE é de 0,29 miligramas por litro, rigorosamente dentro dos padrões e normas técnicas”, ressalta. A concessionária diz que suas análises são feitas pelo mesmo laboratório contratado pela AmaDarcy e que os resultados são encaminhados ao Inea. De acordo com a concessionária, a coleta feita para o relatório ocorreu fora do ponto de saída do afluente da ETE, em um córrego próximo à estação, o que, para a empresa, “inviabiliza qualquer tipo de conclusão afirmada pela AmaDarcy”.
Fonte: O Globo
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