
24/08/2021
Ao tomar o poder político no Afeganistão após a partida dos EUA, o grupo radical islâmico Talibã passou a deter também o controle sobre uma riqueza mineral estimada em algo entre US$ 1 trilhão e US$ 3 trilhões.
Ao mesmo tempo em que é um dos países mais pobres do mundo - em 2016, mais de metade da população estava abaixo da linha da pobreza, segundo dados do Banco Mundial -, o Afeganistão possui extensas reservas de cobre, lítio, cobalto, ferro, ouro, que permaneceram relativamente intocadas nas últimas décadas, período em que o país esteve mergulhado em diferentes conflitos armados.
Entre 1996 e 2001, quando o Talibã governou a nação, sua principal atividade econômica foi a produção de papoula para extração do ópio, matéria prima para a fabricação de heroína.
O país era considerado um pária nas relações internacionais e comerciais. Agora, porém, as coisas podem ser diferentes.
Não porque o Talibã, que tenta vender uma imagem mais moderada ao mundo, tenha efetivamente mudado de status no xadrez global.
Mas porque as condições de exploração e sobretudo o mercado desses minérios se alterou drasticamente nos últimos anos, impulsionado pela necessidade do mundo de se mover em direção à uma economia verde.
Recentemente, um relatório do Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas da Organização das Nações Unidas mostrou que os efeitos do aquecimento global têm se acelerado e que será preciso fazer mais para impedir uma catástrofe ambiental que ameace a sobrevivência humana na Terra.
Vai ser preciso mudar - e rápido - como produzimos e como consumimos.
E é exatamente por deter recursos necessários para essa mudança que o grupo islâmico pode ter uma janela de oportunidade.
Para Rod Schoonover, cientista especializado em mudanças climáticas e ex-funcionário de inteligência americana, o Talibã "não está só sentado sobre valiosas jazidas de pedras preciosas, mas de minérios centrais para a produção industrial mundial como o ferro e, especialmente, de parte dos recursos mais críticos no processo de transição econômico ambiental no século 21".
Há centenas de anos, sabe-se que a região onde fica o Afeganistão é rica em minérios.
Mas foram os soviéticos, nos anos 1960 e 1970, quem primeiro mapearam a composição geológica do Afeganistão, resultado de uma série de colisões entre placas tectônicas que liberaram para a superfície terrestre partes do manto e do magma do planeta.
Entre os anos 2000 e 2010, o Centro de Pesquisa Geológica dos Estados Unidos e o Centro Afegão de Pesquisa Geológica retomaram as análises soviéticas do solo e se lançaram a um extensivo inventário de cerca de mil minas e depósitos minerais ao redor do país.
Para fazer o levantamento, os pesquisadores contaram não só com o auxílio de satélites da Nasa, mas tiveram que ser levados às regiões pesquisadas a bordo de Black Hawks, os helicópteros militares americanos, e fazer suas escavações e coletas paramentados com trajes dos Marines e sob a vigilância de soldados armados.
Leia a matéria completa no G1
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