
19/08/2021
Terminar a noite com um cheiro forte de cigarro nas roupas e nos cabelos era inevitável antes da proibição do fumo em locais fechados, como casas de shows e restaurantes, no Brasil.
A “lembrança” era levada mesmo por quem não fumasse. Resgatar essa memória é uma boa forma de entender como funciona a circulação de ar (ou melhor, a falta dela) em ambientes confinados — e pensar assim em como a Covid-19 pode se espalhar nesses locais, alertam especialistas.
Desde o começo da pandemia no país, atividades em que tipicamente as pessoas se aglomeram, como festas de casamento, formaturas, shows com o público em pé, casas noturnas, arquibancadas de estádio, estão suspensas. Nas próximas semanas, porém, há planos, em diversos estados e cidades do Brasil, para que esses eventos voltem.
Para quem estuda as formas com que o vírus se propaga pelo ar, que é a principal via de contaminação, os protocolos não transmitem segurança. Milena Ponczek, pesquisadora de ciências atmosféricas na Universidade de São Paulo (USP), e Vitor Mori, físico que é membro do Observatório Covid-19 BR e pesquisador na Universidade de Vermont (EUA), criticam o enfoque em medidas como distanciamento e uso de álcool gel nas mãos, que pouco adiantam na prevenção se todos estão respirando um ar “viciado”, cheio de partículas em suspensão.
Para eles, a retomada deveria então prezar por espaços ao ar livre. Mesmo assim, dando muita atenção ao comportamento que os frequentadores podem ter em locais em que a ventilação não é boa, como os banheiros.
Para explicar os principais problemas de um evento em local fechado, ilustramos, com a ajuda dos especialistas, um jogo dos sete erros no ambiente de uma casa de shows.
Fonte: O Globo
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