
13/08/2021
Moradores do distrito de Santo Aleixo, em Magé, na Baixada Fluminense, foram surpreendidos com a mudança da cor da água do Poço da Macumba. De um dia para o outro, a água que era cristalina ficou vermelha. A região é conhecida por seus pontos turísticos, que atraem muitos visitantes.
O mistério que ronda Magé intrigou os moradores há uma semana, como contou o escavador Damásio Marques.
"Ninguém viu nada. O pessoal ficou preocupado. É coisa que não acontece aqui. Subiu muita gente para ver o que estava acontecendo. A gente não sabe se é tóxico. Cachoeira dá muita gente com criança, tomando banho. O pessoal ficou assustado", disse Marques.
Assim que a coloração mudou, a notícia se espalhou pela cidade. e o influenciador digital Valcir Pinheiro correu para o Poço.
"Mar cor de sangue. rio cor de sangue. Está tudo vermelho. Deve ser sangue de verdade. De animal. Quando cheguei aqui o sentimento é de muita dor, ver que é um produto forte. Fiquei desesperado. Sentimento de revolta grande. Fui colocando a mão e ficou coçando, pinicando. Depois me orientaram e da próxima vez venho com uma luva", disse Pinheiro.
A água do Poço da Macumba já voltou à sua cor naturalmente cristalina. Mas ainda há vestígios pelas pedras, que ficaram com manchas avermelhadas.
A Prefeitura de Magé disse que encontrou uma sacola com corante usado para tingir roupas dentro do poço. E que, de acordo com o engenheiro químico que acompanhou a equipe, a substância não oferecia risco à saúde da população. Disse também que não havia quantidade suficiente de corante para contaminar o poço e chegar ao Rio Roncador, que deságua na Baía de Guanabara. A prefeitura coletou amostras de água para análise.
Mas a pesquisadora e gestora ambiental Carla Lubanco afirma que, por se tratar de um produto químico, há riscos para pessoas, fauna e flora.
"Dependendo do tipo de produto químico, as consequências podem ser alergias, consequências à visão, à pele, e se ingerir, intoxicação. Essa substância não é tão grave. Mas já serve de aviso para gente implementar programa de educação ambiental no município, que é o que deve ser feito para educar a nossa população para que coisas assim não voltem a acontecer", disse a pesquisadora.
O Instituto Estadual do Ambiente (Inea) disse que orientou a Prefeitura de Magé a fazer o descarte adequado do saco de corante.
Ainda segundo o Inea, o caso pode ser caracterizado como crime ambiental, com multa e pena de até quatro anos. Mas a Prefeitura de Magé disse que não houve necessidade de registrar a ocorrência na delegacia.
Fonte: G1
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