
26/08/2008
Os barcos de coleta e ecobarreiras não estão dando conta do lixo flutuante da Baía de Guanabara. Com muito esforço, retiram da água cerca de 7 toneladas de resíduos por dia. Mas, como mostra reportagem de Túlio Brandão, publicada pelo O GLOBO de 3ªF dia 19/08, diante da imensidão de plásticos, garrafas PET, sofás, pedaços de madeira, geladeiras velhas, tubos de imagem de TV e até cadáveres boiando, as iniciativas da Secretaria Estadual do Ambiente se comparam a pano que enxuga gelo. De acordo com o geógrafo Elmo Amador, professor aposentado da UFRJ e especialista nos ecossistemas da região, o volume médio de lixo flutuante expelido pelos rios que desembocam na Baía é de 80 toneladas por dia.
O volume de resíduos varia de dez toneladas por dia, em dias mais estáveis, a até 200 toneladas por dia, em condições extremas de chuva e maré. Contudo, diz o geógrafo, as ações realizadas pelo estado para conter a onda de resíduos são paliativas, mas importantes:
- A Serla (Superintendência Estadual de Rios e Lagoas) faz um trabalho importante, mas com eficiência muito baixa. O estado precisa ir além das ações isoladas para resolver isso. Precisa dispor de um plano que contemple um sistema de coleta de lixo mais efetivo nas comunidades existentes às margens das bacias, rastrear os resíduos que chegam à baía, para, aí sim, dimensionar a necessidade de barcos e ecobarreiras, além de outros instrumentos de combate.
O geógrafo também faz um alerta sobre os resíduos que já afundaram e cobrem o fundo da baía. Segundo ele, são pelo menos 20 quilômetros quadrados de fundo completamente perdido, revestido com plástico e outros materiais, a ponto de não existir mais peixe, nada.
A retirada desse lixo é ainda mais delicada que a do que flutua e requer mais tecnologia, afirma Amador.
O lixo que flutua sem rumo pela Baía de Guanabara não causa apenas danos ambientais. A navegação de barcos de transporte de passageiros e esportivos também é constantemente afetada pelos resíduos sólidos. De acordo com o superintendente das Barcas S/A, Luís Eduardo Marinho, as embarcações da companhia, que fazem cinco rotas dentro da baía, vão para o estaleiro pelo menos uma vez por mês devido às avarias causadas pelo choque com madeira, sofás e outros lixos de grande porte.
Fonte: G1
Fonto: Agência O Globo
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