
10/08/2021
O relatório do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC, sigla em inglês) publicado nesta segunda-feira (9) mostrou que o papel da influência humana no aquecimento do planeta é inequívoco e inquestionável.
A meta do IPCC é limitar o alta da temperatura a 1,5°C: atualmente, esse número já subiu cerca de 1°C e eventos extremos do clima já afetam todo o globo. Embora governos e empresas tenham papéis fundamentais na mitigação da emissão de gases de efeito estufa, especialistas ouvidos pelos G1 apontam que a soma de ações individuais também pode efetivamente ajudar a diminuir o impacto do aquecimento global.
Isso porque todo ser humano está envolvido em atividades que emitem, direta ou indiretamente, gases do efeito estufa no seu dia a dia. Os pesquisadores deram para isso o nome de pegada de carbono: medida de cálculo equivalente à emissão na atmosfera por pessoa ou entidade.
Países mais ricos têm uma média maior de emissão: nos EUA, uma pessoa emite 16 toneladas de gases de efeito estufa, enquanto a média global é de cerca de quatro toneladas. Para evitar um aumento de 2ºC na temperatura, os cientistas dizem que é preciso diminuir essa média para duas toneladas, de acordo com organização Nature Conservancy.
Com a ressalva de que não é possível sugerir as mesmas posturas para pessoas de diferentes classes de renda, especialistas alertam que a maioria das oportunidades para diminuir nossa pegada de carbono estão nas boas escolhas no uso dos meios de transporte (evitar o uso do automóvel e de viagens de avião) e na mudança da alimentação (diminuir o consumo de carne).
"As ações de empresas e governos dependem das ações das pessoas. As pessoas têm poder por meio de suas escolhas, seja para se deslocar para as suas casas, seja para cozinhar ou para a produção de alimentos. É claro que uma pessoa só não faz a diferença, mas o conjunto faz", explica Sérgio Margulis, doutor em economia ambiental e autor do livro “Mudanças do clima: tudo que você queria e não queria saber".
Além da necessidade de novas políticas públicas que reorientem as emissões, especialistas defendem a mudança nos padrões de consumo porque o primeiro grande impacto do homem na emissões de gases surgiu com a Revolução Industrial, que ocorreu na segunda metade do século 18 e ainda molda nosso modo de vida responsável por extrair da natureza mais recursos do que a Terra tem a oferecer.
A atividade rural é responsável por uma grande fatia das emissões de carbono no Brasil. Somando mudança de uso da terra (desmatamento) e o setor da agropecuária, o Sistema de Estimativas de Emissões e Remoções de Gases de Efeito Estufa (SEEG) concluiu que a atividade rural, direta ou indiretamente, responde por cerca de 70% das emissões brasileiras de gases de efeito estufa.
A agropecuária sozinha responde por 28% das emissões, sendo que parcela importante vem da fermentação entérica nos bovinos, processo que emite metano.
Para chegar a esse percentual, os pesquisadores levaram em conta as emissões realizadas para promover o desmatamento para pastagem, a adubação, o metano emitido pelo gado e o transporte dos produtos.
De acordo com os especialistas, a recomendação de reduzir o consumo de carne vermelha é um modo do cidadão, como consumidor, não incentivar ou gerar demanda para o setor.
Leia a matéria completa no G1
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