
03/08/2021
Após 66 horas de observação e análise de dados obtidos por um radiotelescópio de 64 metros na Itália, cientistas chegaram até a imagem mais detalhada possível até agora da galáxia de Andrômeda, tida como "irmã" da Via Láctea. Segundo os autores do estudo, publicado recentemente no periódico "Astronomy and Astrophysics", a descoberta é um importante avanço no estudo sobre as regiões de Andrômeda onde nascem novas estrelas, o que também representa um melhor conhecimento da próxima galáxia onde está o planeta Terra.
— Compreender a natureza dos processos físicos que ocorrem dentro de Andrômeda nos permite entender o que acontece em nossa própria galáxia mais claramente, como se estivéssemos olhando para nós mesmos, de fora — disse Sofia Fatigoni, doutoranda no Departamento de Física e Astronomia da Universidade da Colúmbia Britânica, no Canadá. — Esta imagem nos permitirá estudar a estrutura de Andrômeda e seu conteúdo com mais detalhes do que nunca foi possível.
Participaram da análise cientistas da Universidade de Roma La Sapienza e do Instituto Nacional de Astrofísica italiano, que utilizaram o Radiotelescópio da Sardenha — de antena única, com uma grande área efetiva, e capaz de operar em altas frequências de rádio. Como resultado, surgiu a primeira imagem de rádio de Andrômeda na frequência de 6,6 GHz. Entre os dados obtidos, está a estimativa da taxa de formação de estrelas dentro da galáxia. Assim, o estudo mostra um mapa detalhado que destaca o "disco da galáxia" com a região onde nascem novas estrelas.
Até então nenhum mapa capturou uma região tão grande do céu ao redor da galáxia de Andrômeda havia sido feito nas frequências da banda entre um GHz a 22 GHz.
— Em particular, fomos capazes de determinar a fração das emissões devido aos processos térmicos relacionados às primeiras estações de formação de novas estrelas, e a fração dos sinais de rádio atribuíveis a mecanismos não térmicos devido aos raios cósmicos que espiralam no campo magnético presente no meio interestelar — disse Fatigoni.
Embora seja difícil perceber a estrutura da galáxia na faixa de frequência utilizada, os autores explicaram que só assim apareceriam características particulares, o que foi descrito como "crucial para entender quais processos físicos estão acontecendo dentro de Andrômeda".
— Ao combinar esta nova imagem com as adquiridas anteriormente, demos passos significativos no esclarecimento da natureza das emissões de microondas de Andrômeda e nos permite distinguir processos físicos que ocorrem em diferentes regiões da galáxia — disse a doutora Elia Battistelli, professora no departamento de física da Sapienza e coordenadora do estudo.
A partir do mapa resultante, os pesquisadores foram capazes de identificar um catálogo de cerca de 100 "fontes pontuais", incluindo estrelas, galáxias e outros objetos no fundo de Andrômeda.
Fonte: O Globo
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