
03/08/2021
A onda de calor no Hemisfério Norte está quebrando recordes em 2021.
Um exemplo claro disso é o caso de Lytton, uma pequena cidade no Canadá, que, no início de julho, registrou a temperatura mais alta da história do país: 49,5 °C.
As altas temperaturas geraram grandes incêndios. O fogo descontrolado atingiu a cidade, e seus 250 moradores tiveram que fugir para se salvarem.
Notícias menos dramáticas, mas não menos preocupantes, se repetem em toda a costa oeste da América do Norte, em face das temperaturas alarmantes desde o início do verão.
O planeta já aqueceu cerca de 1,2° C desde o início da era industrial e as temperaturas continuarão a subir, a menos que os governos ao redor do mundo façam cortes drásticos nas emissões de dióxido de carbono (CO²), alertam os cientistas.
E as altas temperaturas têm consequências diretas e letais para as pessoas.
"O calor extremo é um assassino silencioso. É a principal causa de morte relacionada a desastres climáticos", diz Jane Gilbert, chefe de calor do Condado de Miami-Dade, na Flórida.
De acordo com dados dos Centros de Controle e Prevenção de Doenças dos Estados Unidos, entre 2004 e 2018, uma média de 702 pessoas morreram todos os anos de causas relacionadas ao calor naquele país.
Já um estudo de 2020 realizado por pesquisadores da Universidade de British Columbia descobriu que milhares de mortes podem realmente ser atribuídas ao calor a cada ano nos Estados Unidos.
O relatório estimou que o calor contribuiu para a morte de 5.600 pessoas anualmente, entre 1997 e 2006, em 297 condados que compõem três quintos da população dos Estados Unidos.
É por causa dessa crescente preocupação que algumas cidades estão tomando providências e buscando estratégias para cuidar de sua população.
Em abril deste ano, o condado de Miami-Dade nomeou Jane Gilbert como a "primeira chefe de calor", um cargo único no mundo, segundo ela.
Sua posição se encaixa no City Champions for Heat Action, uma iniciativa que faz parte da Extreme Heat Resilience Alliance, uma aliança de cidades contra o calor extremo que terá a companhia de Atenas (Grécia) e Freetown (Serra Leoa).
Mas o que exatamente uma chefe de calor faz?
"Estou encarregada de trabalhar em todos os departamentos, setores e comunidades dentro do condado de Miami-Dade para desenvolver e implementar uma estratégia para reduzir os impactos do aumento do calor extremo, buscar soluções que reduzam o carbono", conta Jane Gilbert à BBC News Mundo, serviço em espanhol da BBC.
"O calor está aumentando não só na temperatura que sentimos na pele, mas também na umidade, e ambos estão relacionados às mudanças climáticas. E isso acontece à medida que nos tornamos uma cidade mais urbana e colocamos mais calçadas, mais ar condicionado e temos menos árvores", acrescenta.
Leia a matéria completa no G1
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