
27/07/2021
Uma área de aproximadamente 57 hectares foi reflorestada com sementes de diversos tipos de palmeiras coletadas entre o final de 2020 e este ano. Esse é o objetivo do Projeto Sementes, desenvolvido pela Cooperativa Ayõpare, do Povo Ashaninka do Rio Amônia. Para isso, os indígenas coletaram 550 quilos de sementes.
O Projeto Sementes faz parte do Programa de Desenvolvimento Sustentável do Acre (PDSA), da Secretaria de Estado de Meio Ambiente (Sema). Além da coleta, a iniciativa visa também apoiar a venda de sementes nativas para diversas partes do Brasil e do mundo.
As palmeiras são de diversas espécies, desde jarina, jaci, paxiúba, patoá, açaí, bacaba, entre outras. Essas sementes foram plantadas dentro da Terra Indígena Kampa do Rio Amônia, em Marechal Thaumaturgo, interior do Acre.
"O projeto está muito centrado na alma e espírito Ashaninka. Nosso povo sempre trabalhou com sementes, uma diversidade muito grande de sementes que é utilizada no artesanato, que é da nossa indumentária. Também é muito forte em nossa cultura o replantio, reproduzir e ampliar as sementes. São cultivadas com muito cuidado", destacou Francisco Piyãko, uma das lideranças da Aldeia Apiwtxa.
Durante todo o processo de seleção, foram escolhidas 855 matrizes de 29 espécies, com no mínimo 12 indivíduos. Essas sementes foram selecionadas da escolha de árvores saudáveis e com boa forma. O líder destacou também que os Anshaninkas têm sementes que são cultivadas e guardas há várias gerações nas terras indígenas.
"Ultimamente, temos vivido uma política muito forte diante da necessidade de recompor algumas espécies nativas que a natureza está precisando repor pela exploração do homem. O homem retirou demais da natureza, então, adotamos de onde tem uma área alterada de floresta, tentar introduzir espécies raras ou em extinção, como o mogno, a cerejeira, copaíba e outros de valor comercial que estão fazendo falta na natureza", pontuou.
Para isso, Piyãko contou que a comunidade trabalha com sistemas agroflorestais para incentivar a valorização e recuperação das áreas dentro das comunidades. Para o líder indígena, trabalhar com sementes é um trabalho sagrado.
"É estar mexendo com vidas, com o futuro, com a garantia de futuro", frisou.
Outra finalidade do Projeto de Sementes é utilizar, futuramente, as palheiras para fazer a cobertura das casas dentro da terra indígena. As palheiras também servirão para reflorestar as bordas dos açudes do projeto de piscicultura da comunidade.
"Esta coleta foi feita para a gente fazer um grande plantio de palheiras, para a gente ter essas espécies perto da aldeia, pois utilizamos as folhas para cobrir as casas em nossa tradição e as palheiras estão ficando muito distantes", afirmou o agente agroflorestal José Valdeci Piyãko.
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