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A revolta causada pela seca que enfraqueceu um dos impérios mais poderosos do mundo

20/07/2021

No fim do século 16, centenas de bandidos invadiram os campos rurais da Anatólia a cavalo, saqueando vilas, incitando a violência e desestabilizando o poder do sultão.
Quatrocentos anos depois e a algumas centenas de quilômetros de distância, onde hoje é a Síria, uma série de protestos generalizados se transformou em 2011 em uma sangrenta guerra civil que perdura até hoje.
Esses episódios sombrios da história do Mediterrâneo compartilham características-chave que servem de alerta para o futuro: ambos os eventos forçaram muitas pessoas a deixar suas casas. Da mesma forma, ambos tiveram origem na política e resultaram em consequências políticas dramáticas.
E ambos foram impulsionados por temperaturas extremas que costumam ser associadas às mudanças climáticas.
Como historiadora ambiental, pesquisei e escrevi extensivamente sobre conflitos e pressões ambientais na região do Mediterrâneo Oriental.
Embora secas severas, furacões, aumento do nível dos oceanos e migração climática possam parecer fenômenos novos e únicos do nosso tempo, crises passadas como a que acabei de mencionar, assim como outras, oferecem lições importantes sobre como as mudanças climáticas podem desestabilizar as sociedades humanas.
Vamos analisar isso mais de perto.
Vivemos em uma era de aquecimento global devido em grande parte às práticas humanas insustentáveis.
Geralmente conhecida como Antropoceno, esta era é amplamente considerada como tendo surgido no século 19, na esteira de outro período de grande mudança climática global chamado de Pequena Era do Gelo.
A Pequena Era do Gelo levou temperaturas mais frias do que a média, assim como um clima extremo, a várias partes do mundo.
Diferentemente do aquecimento antropogênico atual, provavelmente foi causada por fatores naturais, como a atividade vulcânica, e afetou diferentes regiões em momentos distintos, em diferentes graus e de maneiras bastante distintas.
Seu início no fim do século 16 foi particularmente notável na Anatólia, uma região predominantemente rural que chegou a ser o coração do Império Otomano e cujos limites são aproximadamente os da atual Turquia.
Tradicionalmente, grande parte de suas terras se destinava ao cultivo de grãos ou ao pasto de ovelhas e cabras. Eram uma importante fonte de alimento para a população rural, assim como para os moradores da movimentada capital otomana, Istambul (antes chamada de Constantinopla).
As duas décadas em torno do ano 1600 foram especialmente difíceis.
A Anatólia passou por alguns de seus anos mais frios e secos da história, sugerem os anéis das árvores e outros dados paleoclimatológicos.
Esse período também teve secas frequentes, assim como geadas e inundações. Ao mesmo tempo, os habitantes da região sofreram devido a uma praga animal e políticas estatais opressivas, incluindo a apreensão de grãos e carnes para enfrentar uma guerra custosa na Hungria.

Para saber mais é só acessar o G1

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