
13/07/2021
Saber usar tudo o que a Floresta Amazônica oferece, sem derrubar nenhuma árvore ou agredir o ecossistema é o principal objetivo dos moradores da Comunidade do Tumbira, no Amazonas. A área, fica às margens do Rio Negro, dentro do Arquipélago de Anavilhanas e de uma Reserva de Desenvolvimento Sustentável (RDS). Por lá, todos aprendem que a Floresta vale mais em pé do que no chão. Como é o caso do artesão Manoel Garrido, que encontrou nos restos de árvores o ofício de fazer peças exclusivas de madeira que, inclusive, já ganharam notoriedade país afora.
Em uma pequena marcenaria em frente à comunidade, o artesão passa o dia criando em um pequeno torno adaptado com o motor de um caminhão. As peças são pensadas por ele mesmo e criadas com o auxílio de um dos três filhos. Já a matéria-prima são restos de itaúba, roxinho, argelim e por aí vai.
"Comecei a fazer coisas pequenas, como, porta-jóias e bases de madeiras, e depois fui aumentando o tamanho e vendo o que dava mais renda. Isso só foi possível depois que eu consegui comprar um torno. E o material que a gente usa são pontas de árvores mortas da mata, aproveitamos também sobra de manejo, raízes de árvores caídas..."
Mas nem sempre a vida foi assim. Isso porque, seu Manoel era carpinteiro naval e desde cedo ajudava o pai na construção de barcos. No entanto, com a criação da Reserva, não pôde mais derrubar as árvores para exercer o ofício passado de geração a geração.
"Desde a minha infância ajudava meu pai na construção de barcos. Era a profissão dele. Trabalhamos por muitos anos, até 2008. Foi quando paramos, e tivemos que procurar outra coisa para sobreviver. Resolvermos fazer tábuas para paredes de casa, para fornecer na comunidade. Tem um estatuto que nada pode ser levado para fora [da comunidade] e aí resolvemos investir nisso".
No entanto, a situação da família ainda não era boa. Eles precisavam de outra fonte de renda. Foi quando o marceneiro começou a produzir peças com sobras de madeira e restos de manejo ambiental. "Eu comecei a pensar no artesanato, mas só um filho me acompanhou. O outro seguiu na marcenaria. E começou a dar certo, sabe? Uma coisa que se tem por aqui é o bom senso de não retirar para lucrar, mas a gente visa guardar esse lugar", contou.
E as peças pensadas pelo seu Manoel começaram a chamar atenção dos turistas que frequentavam a comunidade e também da Fundação Amazônia Sustentável (FAS), que o incluiu no programa Girau, que faz a venda dos produtos dos artesãos da comunidade por meio de uma plataforma digital.
Para terminar de ler esta matéria acesse o G1
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