
13/07/2021
No esforço mundial para reduzir as emissões de gases de efeito estufa, a fonte de nossos alimentos está ganhando destaque.
Há uma boa razão para isso: a agricultura é responsável por 16% a 27% das emissões do aquecimento global causadas pela ação do homem.
Mas muitas dessas emissões não são de dióxido de carbono (CO2), o conhecido vilão da mudança climática. São de outro gás: óxido nitroso (N2O).
Também conhecido como gás hilariante, o N2O não recebe a atenção que merece, diz David Kanter, pesquisador de poluição de nutrientes na Universidade de Nova York, nos EUA, e vice-presidente da International Nitrogen Initiative, organização focada em pesquisa e formulação de políticas de combate à poluição por nitrogênio.
"É um gás de efeito estufa esquecido", afirma.
No entanto, molécula por molécula, o N2O é cerca de 300 vezes mais potente que o dióxido de carbono no aquecimento da atmosfera.
E, assim como o CO2, tem vida longa, passando em média 114 anos no céu antes de se desintegrar. Também destrói a camada de ozônio.
De fato, o impacto climático do gás hilariante não é uma piada.
Cientistas do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC, na sigla em inglês) estimaram que o óxido nitroso corresponde a cerca de 6% das emissões de gases de efeito estufa, e cerca de três quartos dessas emissões de N2O são provenientes da agricultura.
Mas, apesar de sua importante contribuição para a mudança climática, as emissões de N2O foram amplamente ignoradas pelas políticas climáticas.
E o gás continua a se acumular.
Uma revisão de 2020 das fontes e sumidouros de óxido nitroso mostrou que as emissões aumentaram 30% nas últimas quatro décadas — e estão excedendo praticamente todos os potenciais cenários de emissões mais elevadas descritos pelo IPCC.
O solo agrícola — sobretudo por causa do uso intensivo de fertilizantes sintéticos à base de nitrogênio no mundo — é o principal culpado.
Hoje, os cientistas estão buscando várias maneiras de tratar o solo ou ajustar as práticas agrícolas para reduzir a produção de N2O.
"Qualquer coisa que possa ser feita para melhorar a eficiência do uso de fertilizantes seria importante", diz Michael Castellano, agroecologista e cientista do solo da Universidade Estadual de Iowa, nos EUA.
Antes do surgimento da agricultura moderna, a maior parte do nitrogênio disponível nas fazendas vinha de compostos, esterco e micróbios fixadores de nitrogênio que pegam o gás nitrogênio (N2) e o convertem em amônia, um nutriente solúvel que as plantas podem absorver pelas raízes.
Isso tudo mudou no início dos anos 1900 com o lançamento do processo Haber-Bosch, que oferecia um método industrial para produzir grandes quantidades de fertilizante à base de amônia.
Essa abundância de fertilizantes sintéticos impulsionou a produção agrícola e ajudou a alimentar as pessoas em todo o mundo, mas esse excedente de nitrato e amônia vem com custos ambientais.
Para saber mais acesse a reportagem no G1
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