
13/07/2021
A pior infestação de ratos já vista nos últimos anos em áreas rurais do leste da Austrália tem destruído propriedades e colheitas e despertado um debate sobre como lidar com os roedores.
O uso de venenos é limitado por agências reguladoras, e o uso de predadores, como cobras, pode criar problemas adicionais.
"Esta é provavelmente a pior infestação de ratos que eu já vi", disse à BBC, em maio, o agricultor Norman Moeris, da cidade de Gilgandra, ao contar que seu celeiro de feno havia sido completamente devorado pelos roedores, deixando perdas equivalentes a R$ 210 mil.
Depois de anos de seca, as condições climáticas e as colheitas abundantes na Austrália têm oferecido as condições ideais para a proliferação de ratos, que se reproduzem rapidamente: um único rato é capaz de gerar até 500 filhotes durante uma temporada reprodutiva.
Na ausência de predadores em quantidade equivalente, os ratos têm se espalhado de modo impressionante, arrasando tudo o que veem pela frente.
O jornalista Steve Evans, do jornal "Canberra Times", lembra à BBC as dificuldades enfrentadas por um amigo seu, em outro episódio de praga de roedores.
"Eles [ratos] tomaram conta da casa do meu amigo em Dubbo, [estado de] Nova Gales do Sul. Eles estavam por toda a parte, centenas deles, entrando por baixo das portas, correndo de modo barulhento, deixando um cheiro horrível, inclusive quando morriam dentro de cavidades inalcançáveis", conta.
Ele lançou armadilhas de papel com cola, onde os ratos ficavam grudados; depois eram afogados em um balde de água.
Na infestação atual, conta Evans, armadilhas comerciais de ratos estão em falta, levando os australianos a improvisar.
Um método caseiro usado por alguns é atrair os ratos com manteiga de amendoim até enormes baldes cheios de água, com as beiradas internas untadas com óleo, de onde não conseguem sair.
Outros debatem entre espantar os ratos ou eliminá-los de vez.
"Gesso em pó é capaz de matar ratos, mas prefiro ver onde eles vão morrer, para conseguir me livrar de suas carcaças", conta Sue Hodge, faxineira na cidade de Canowindra, a três horas de Canberra.
Por isso, Hodge prefere usar armadilhas, embora elas não sejam infalíveis — alguns roedores, que ela chama de "camundongos de pé leve", conseguem comer a isca toda e conseguem escapar.
Alguns fazendeiros transformaram enormes contêineres em armadilhas: o truque é atrair os ratos, às centenas, por um lado do contêiner com uma isca e construir um tanque de água na outra ponta, onde os ratos morrem afogados.
No entanto, essas estratégias são trabalhosas e não dão conta da imensidão da praga e alguns fazendeiros defendem o uso de veneno em escala industrial. Em resposta, o governo de Nova Gales do Sul alocou o equivalente a US$ 37 milhões em empréstimo para um químico chamado bromadiolona, descrito como "napalm contra ratos".
O problema é que essa substância envenena tudo ao seu redor e destrói o ecossistema.
Os ratos morrem nas 24 horas seguintes a serem expostos ao químico, mas a substância permanece ativa por meses e vai para toda a cadeia alimentícia, à medida que predadores comem animais envenenados. Isso fez com que a Agência de Pesticidas e Medicina Veterinária da Austrália vetasse o uso do bromadiolona em outros lugares.
Para saber mais acesse o G1
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