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Antiga técnica indígena para uso de água ajuda Peru a enfrentar seca

24/06/2021

Antes da pandemia de Covid-19, no inverno austral, dirigi ao norte de Lima, subindo o altiplano peruano até o vilarejo de Huamantanga.
Estava acompanhado de cientistas que estudam o uso de uma técnica de 1,4 mil anos por agricultores locais para ampliar a disponibilidade de água na longa estação de seca.
Em nosso caminho pelo estreito Vale do Rio Chillón, uma pequena faixa de plantações verdes em meio a muralhas de rochas fulvas, cruzamos o rio e começamos a subir uma estrada de terra íngreme de pista única à beira da encosta de uma montanha.
A cerca de 3.500 metros, chegamos a um platô com campos de abacates, lúpulo, batata e feijão e, finalmente, ao vilarejo, onde construções de dois andares de tijolos de barro e concreto ladeavam ruas estreitas de terra. Burros, cavalos, vacas, cães e pessoas zanzavam por ali.
A Cordilheira dos Andes é um dos seis lugares do mundo em que surgiram civilizações complexas, motivadas pela precipitação sazonal, que provou ser um catalisador para inovações hídricas repetidas vezes.
As pessoas nutriam conhecimentos profundos sobre a água e o subsolo, implementando estratégias que ainda surpreendem — e alguns ainda usam.
Hoje, os peruanos modernos estão implantando novamente esse conhecimento antigo e protegendo ecossistemas naturais, como áreas úmidas em alta altitude, para ajudar o país a se adaptar às mudanças climáticas.
É um dos primeiros esforços do mundo para integrar a natureza à gestão de recursos hídricos em escala nacional.
O Peru está entre os países com maior insegurança hídrica do mundo. A capital Lima, onde vive um terço da população do país, se estende por uma planície desértica plana e tem apenas 13 mm de precipitação por ano.
Para sustentar a população, conta com três rios que nascem nos Andes, que se erguem atrás da cidade, atingindo 5.000 m em apenas 150 quilômetros.
Os moradores de Lima não estão sozinhos na dependência de água das montanhas. Estima-se que 1,5 bilhão de pessoas em todo o mundo podem depender da água que flui das montanhas até 2050, em comparação com 200 milhões na década de 1960.
A escassez de água no Peru está piorando como resultado da mudança climática. Como muitos testemunharam, as geleiras das montanhas derreteram e a estação das chuvas diminuiu para apenas alguns meses.
Já a companhia de água de Lima, Sedapal, só consegue abastecer os clientes 21 horas por dia — e Ivan Lucich, presidente da Superintendência Nacional de Serviços de Saneamento (Sunass), diz esperar um declínio ainda maior nos próximos anos.
Um relatório de 2019 do Banco Mundial que avaliou os riscos de seca no Peru concluiu que as estratégias atuais da capital para administrar a seca — barragens, reservatórios, armazenamento subterrâneo — serão insuficientes já em 2030.
Vários anos atrás, desesperados por segurança hídrica, os líderes do país fizeram algo radical: aprovaram uma série de leis nacionais exigindo que as concessionárias de água investissem um percentual das contas de seus clientes em "infraestrutura natural".
Estes fundos — chamados Mecanismos de Retribuição por Serviços Ecossistêmicos (MRSE) — são destinados a intervenções hídricas baseadas na natureza, como restaurar antigos sistemas humanos que trabalham com a natureza, proteger áreas úmidas e florestas em altas altitudes ou introduzir pastoreio rotativo para proteger as pastagens.

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