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A cidade fantasma criada pelo carvão

22/06/2021

Após fazer uma curva fechada na estrada, eis que surge no topo da colina nevada a Usina General James M. Gavin. Nuvens espessas despontam no horizonte, saindo de suas chaminés.
Estou me aproximando de Cheshire, que já foi uma pequena cidade próspera nos Estados Unidos, mas agora é uma cidade fantasma.
A usina a carvão JM Gavin é a sétima maior emissora de CO2 de todas as centrais de energia nos EUA. Em 2019, liberou 12,9 milhões de toneladas de CO2 na atmosfera.
Mas o legado da usina em sua vizinhança imediata é muito mais visível. É responsável pelo fim de uma comunidade inteira.
Construída em 1800, Cheshire já teve duas igrejas, parques infantis e uma escola, tudo isso situado às margens do Rio Ohio.
Agora, há lotes de terra vazios onde antigamente ficavam pitorescas casas de madeira, que foram demolidas. Restam apenas algumas moradias espalhadas.
Até mesmo os limites da cidade foram expandidos, no intuito de incorporar as 132 pessoas que vivem nas imediações e oferecer assim um senso de comunidade.
Enquanto estaciono, posso sentir o cheiro de enxofre da usina. As ruas desertas de Cheshire em uma noite de sexta-feira são um tanto sombrias, e a calçada está caindo aos pedaços.
Os nomes das ruas, Walnut e Mulberry, contam uma história de uma época diferente.
Em 2002, a American Electric Power (AEP), que era dona da Usina Gavin na época, concordou em comprar a cidade inteira por US$ 20 milhões depois que os moradores reclamaram da poluição do ar — a pluma de fumaça azul contendo ácido sulfúrico que emergia das chaminés da usina se acumulou e encobriu seus arredores.
Os proprietários de imóveis que concordaram em vender foram autorizados a permanecer em suas casas sem pagar aluguel, se quisessem, ou poderiam se mudar e transferir sua propriedade para a AEP.
No total, 221 moradores fizeram as malas e se mudaram — 90 proprietários no total.
Isso foi considerado inédito, de acordo com o jornal americano New York Times: uma empresa comprando uma cidade. Mas também fez com que uma comunidade próspera — alguns haviam passado a vida toda lá — se dissolvesse.
Mark Coleman se lembra de como era Cheshire antes da chegada das nuvens de pluma azul — e do êxodo em massa da cidade de 150 anos.
"Havia cercas de estacas brancas. Eu ia para a escola. Ia aos jogos de futebol americano do colégio nas noites de sexta-feira", recorda Coleman.
A cidade foi fundada em 1834 e abrigou várias gerações de famílias.

Saiba mais no G1

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