
17/06/2021
Quatro baleias-jubarte ficaram presas a redes de pesca na costa de Florianópolis nos últimos dias, segundo a Polícia Militar Ambiental (PMA). Duas delas foram encontradas mortas com redes enroladas ao corpo no Sul da Ilha. As outras duas foram libertadas dos equipamento de pesca após o desenredamento dos animais. Um dos resgates na terça-feira (15) no Norte da Ilha.
De acordo com a PMA, as ocorrências deste tipo vem acontecendo no mesmo período da pesca da tainha, onde redes fixas e algumas irregulares são colocadas em vários pontos na costa.
"A Polícia Militar Ambiental faz a fiscalização nos arredores da ilha de Florianópolis e recolhe essas redes diariamente. Ocorre que com o aumento no surgimento das baleias coincidentemente no inverno e na época da tainha, também houve aumento no número das redes fixas (proibidas pela legislação, portanto redes irregulares). O crescimento nas ocorrências de enredamento de baleias vem preocupando", disse o policial militar ambiental Roberto Salles Pereira Oliveira.
Segundo a equipe do Protocolo de Encalhes e Desenredamento de Baleias da APA da Baleia Franca, o Núcleo de Gestão Integrada/ICMBio, até terça-feira (15) houve 14 registros de baleias jubarte presas em equipamento de pesca no Brasil. Pelo menos cinco acabaram morrendo. Em Santa Catarina foram registrados nove casos de emalhes de baleias. Seis sobreviveram.
"As baleias se enroscam nas redes e têm dificuldade para nadar com elas. Em determinado momento, elas não conseguem mais voltar a superfície para respirar e aí morrem afogadas", afirma o biólogo e professora da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), Jorge Freitas.
Todos os casos estão sendo investigados e devem ser punidos caso fique configurada pesca irregular.
"É importante ressaltar que a atividade pesqueira é essencial para o território e que o enredamento é incidental, não intencional. Desta forma é imprescindível encontrar meios para que tanto a pesca como a baleia possam ocorrer no território sem prejuízo para ambos", informou em nota a equipe que integra o Protocolo feito pelo Núcleo de Gestão Integrada/ICMBio.
O biólogo Jorge Freitas afirma que o perigo aumenta ainda mais quando essas redes se perdem no fundo do mar. Como são feitas de um material resistente e que leva anos para se decompor, outras vítimas pode ser feitas se esse objetos não forem retirados do mar.
"Elas acabam pescando e matado outros peixes, tartarugas e animais marinhos que vivem no fundo do mar", explica o biólogo.Na manhã de terça-feira, uma baleia jubarte juvenil que estava presa à redes de pesca desde a noite de segunda-feira (13) na área da Ilha do Francês, na região de Canasvieiras, foi libertada. Ela ficou presa na rede de pesca de uma embarcação. Segundo os bombeiros, os pescadores não conseguiram retirar a rede do animal e a embarcação estava sendo arrastada pela baleia.
"Pela impossibilidade de soltá-la durante a noite, as equipes cortaram a ligação da rede com o barco, para garantir a segurança dos pescadores e da embarcação. Foi feita uma sinalização, com boias, para a realização da soltura da baleia na manhã desta terça", informaram os bombeiros.
Embarcações da Polícia Militar Ambiental-SC, do Núcleo de Gestão Integrada (NGI-Florianópolis/ICMBio) e do Corpo de Bombeiros localizaram o animal e fizeram a soltura. Segundo as equipes de resgate, foi a encontrada junto ao corpo do animal era de caceio, não fixa, e de malha simples.
Para assistir ao vídeo acesse o G1
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