
17/06/2021
De janeiro a maio deste ano, um total de 615.95 km² foram desmatados no Amazonas, ou seja, 67,4% a mais que o total desmatado no mesmo período do ano passado, quando foram desmatados 367.79 km² de área.
Com esse resultado, o Amazonas é o segundo estado mais desmatado da região Norte, atrás apenas do Pará, que teve 949.71 km² de área desmatada nos cinco primeiros meses deste ano.
Os dados são do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), e mostram, ainda, que o município de Lábrea é o mais desmatado em todo o Amazonas. Em toda a Amazônia, o total de área desmatada chega a 2.547,7 km², e o município é o terceiro mais desmatado em toda a Região.
Na análise do geógrafo e ambientalista, Carlos Durigan, diretor da WCS Brasil (Associação Conservação da Vida Silvestre), essa tendência de aumento acontece porque falta um controle de gestão sobre a exploração de terras.
“O aumento do desmatamento tem uma relação direta com a fragilização das ações de fiscalização e a ausência de um plano estratégico para combater ilícitos na região. Falta-nos liderança de gestão pública no estabelecimento de ações voltadas à construção de uma agenda de desenvolvimento sustentável", disse.
Com quase 30 anos dedicados a projetos voltados à conservação e manejo da biodiversidade e de paisagens naturais na Amazônia, Durigan explicou, ainda, que só seria possível reduzir esses números se houvesse um fortalecimento de ações de monitoramento e fiscalização.
“É preciso implementar o controle preconizado pelo Código Florestal através de Cadastro Ambiental Rural (CAR), monitorando a manutenção e restauração de reservas legais e ainda fortalecer a fiscalização e controle das terras públicas, coibindo a ocupação ilegal e a grilagem", concluiu.
O Cadastro Ambiental Rural (CAR) é um registro público eletrônico, obrigatório para todos os imóveis rurais. Esta semana, o CAR recebeu uma nova plataforma de análise de dados, que vai usar o sensoriamento remoto para checar informações declaradas de ocupantes e proprietários de terras.
O registro serve para integrar as informações ambientais referentes à situação das áreas de preservação permanente (APP); das áreas de reserva legal; das florestas e dos remanescentes de vegetação nativa; das áreas de uso restrito e das áreas consolidadas das propriedades e posses rurais do país.
A Amazônia é uma grande vitrine do Brasil para o mundo e, por esse motivo, o alto índice de desmatamento é um problema não só para o Amazonas, mas é um problema de nível global, segundo especialistas consultados pelo G1.
O aumento do desmatamento tende a gerar o que os ambientalistas classificam como ´imagem negativa´ para o país, resultando na queda de exportações de produtos brasileiros e na diminuição da presença do Brasil em mercados internacionais.
Segundo o secretário-executivo do Observatório do Clima, Márcio Astrini, manter as florestas preservadas, além de contribuir com a questão ambiental, daria mais visibilidade ao país. Márcio faz parte de uma rede que conta com 68 organizações da sociedade civil brasileira que discutem mudanças climáticas e planejam alternativas voltadas à preservação ambiental.
Leia a matéria completa no G1
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