
17/06/2021
A cachalote encontrada encalhada na costa passou a integrar o acervo do Instituto de Pesquisas Científicas e Tecnológicas do Amapá (Iepa). A intenção é utilizar o material para estudos e também expor a ossada em um museu de Macapá. Para isso, a cachalote foi enterrada na região onde foi achada.
Esse foi o primeiro registro oficial de encalhe desta espécie na costa amapaense, segundo o Instituto Mamirauá, que acompanha o trabalho, realizado em conjunto com moradores da região.
Foram os próprios ribeirinhos que avistaram o animal há uma semana, no dia 8, próximo ao arquipélago do Bailique e acionaram os especialistas. O encalhe foi confirmado na sexta-feira (11) e, desde então, iniciou-se a mobilização para proteger o achado e planejar o que seria feito.
"Como ainda tem muitas partes de tecidos, gordura do próprio animal, a gente precisa retirar isso. Então a gente o colocou numa vala rasa para que a própria terra vá decompondo esses tecidos naturalmente. Então daqui a 4, 6 meses, a gente só vai ter os ossos. E aí a gente retira esses ossos, faz a contagem, traz para Macapá, e depois são limpos, preparados para serem montados", explicou o diretor de pesquisas do Iepa, Alan Kardec.
O animal encontrado na costa do Amapá é de aproximadamente 10 metros de cumprimento, de sexo não identificado e já foi achado em avançado estado de decomposição. Não se sabe ainda como ele parou na região. A cachalote é um grande cetáceo, como um golfinho, e se difere da baleia justamente por ter dentes.
Conforme o Iepa, a área do encalhe na região costeira é de difícil acesso. Por isso, os próprios ribeirinhos, que já atuavam em colaboração com o Instituto, realizaram a remoção do animal e o enterro das peças no domingo (13) e na segunda-feira (14).
De acordo com a bióloga Danielle Lima, membro do Mamirauá, o resgate das ossadas é um ponto positivo para estudos, uma vez que o Amapá tem poucas informações sobre o encalhe de grandes cetáceos.
"A gente já tem a informação de outros encalhes, mas é a primeira vez que registramos o aparecimento de um cachalote, que a gente consegue ter acesso a material biológico", declarou a bióloga.
Apenas outros dois casos de encalhe foram registrados oficialmente na mesma região, um em 2009 e outro em 2018. O mais recente foi de uma baleia-jubarte, cuja ossada foi removida do local e também integra o acervo do Iepa para ser exibida em breve.
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