
15/06/2021
Ser capaz de prever quando haverá um grande terremoto é um desejo compartilhado pelos sismólogos.
Isso é impossível com o conhecimento e a tecnologia atuais, mas pesquisas realizadas nos últimos anos permitiram aos especialistas chegarem mais perto de identificar certas condições para que ocorra um abalo.
Os especialistas em geofísica têm se concentrado, entre outras áreas, nos chamados "terremotos lentos".
Trata-se de "deslizamentos que ocorrem em uma falha geológica, em geral, e em particular nas zonas de subducção entre duas placas que estão em contato", explica Víctor Cruz-Atienza, pesquisador do Instituto de Geofísica da Universidade Nacional Autônoma do México.
Ele e seus colegas publicaram recentemente um estudo sobre esse tipo de terremoto que ocorre em certas regiões sísmicas, como a do sudeste mexicano, onde duas placas interagem.
A pesquisa deles constatou que terremotos lentos (ou silenciosos) estavam por trás dos últimos quatro tremores de maior magnitude no país.
Diferentemente dos tremores que sacodem a superfície, os terremotos lentos liberam energia pouco a pouco durante semanas ou meses, o que os torna imperceptíveis e nada destrutivos.
Mas especialistas afirmam que estudá-los é muito importante para entender melhor como os terremotos são gerados. Embora um tremor lento nem sempre antecipe um "normal", é um fator a ser levado em consideração.
"A observação dos terremotos lentos ocorridos nos últimos 20 anos abre uma janela para entendermos a física que controla os terremotos", diz Sergio Ruiz, do Departamento de Geofísica da Universidade do Chile.
"E também abriria uma janela para ´antecipar´ os terremotos. Mas, por enquanto, é fundamental criar um modelo, por que isso acontece às vezes, e não em todos os casos", explica.
Os terremotos geralmente acontecem quando a interação das placas tectônicas libera energia para a superfície, o que faz com que o solo trema abruptamente.
No entanto, há outros tipos de interações em camadas inferiores ou superiores àquelas em que ocorrem os terremotos que são sentidas na superfície terrestre. Um desses eventos são os terremotos lentos.
Ruiz lembra que alguns atingiram magnitude 7, o que seria um perigo considerável se fossem terremotos com efeitos na superfície, mas o fato de ocorrerem durante semanas ou meses elimina o risco.
É como se sobre uma mesa houvesse pratos, xícaras e talheres, explica o geofísico chileno. Se a mesa for movida rapidamente, o que está em cima vai balançar. Mas, se for movida bem lentamente, os objetos vão permanecer praticamente estáticos.
"Um terremoto lento pode ser da mesma dimensão de um grande, um ´normal´, mas como se move muito lentamente não é percebido", diz Ruiz.
Cruz-Atienza explica que eles podem ser monitorados com aparelhos de GPS específicos, de "altíssima precisão", que medem a deformação dos continentes com uma exatidão aproximada de 2 mm.
"Com isso, podemos medir até que ponto o continente se deforma e, como há um rebote, a volta do deslizamento lento ou do terremoto lento, com o contato das placas sob o continente", explica o especialista.
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