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No mês em que completa 203 anos, Museu Nacional ganha de presente coleção de peças do período greco-romano

10/06/2021

No mês que celebra seus 203 anos, o Museu Nacional/ UFRJ, da Quinta da Boa Vista, no Rio - destruído por um incêndio em 2018 - ganhou de presente uma coleção de arte do período do Império Romano e da Grécia Antiga, com peças que datam do ano 550 a.C.
São 27 esculturas e peças de mármore, cerâmica, vidro, metal e terracota da coleção do diplomata aposentado e ex-ministro das Relações Exteriores Fernando Cacciatore de Garcia, avaliada em aproximadamente de R$ 1 milhão, mas de valor histórico e cultural inestimável.
A peça mais antiga (550 a.C.) é um tijolo arquitetônico que ornamentava um templo na Grécia Oriental, território que, atualmente, pertence à Turquia. A mais recente é um copo de vidro ainda transparente e com design absolutamente contemporâneo que data de 550 d.C. Mas a peça que mais impressiona o próprio colecionador é uma estátua do deus Baco ainda jovem, segundo o doador, digna de um Museu do Louvre ou do Museu Britânico, em critérios de beleza e importância.
"É uma pequena coleção, mas que pode ser o embrião para novas aquisições de peças de maior magnitude. Estou fazendo essa doação pelo museu e por mim. Temos de enaltecer a cultura indígena e africana, mas também a cultura mediterrânea. Elas são as raízes do povo brasileiro", disse Cacciatore.
Nascido numa família gaúcha muito ligada à cultura, Cacciatore contou que quando se mudou para o Rio, ainda menino se impressionou com o Paço de São Cristóvão, com o "palácio onde morou um rei", e que ficou com o coração partido quando viu o patrimônio sendo destruído pelo fogo em 2018.
"Fiquei impressionado com aquele palácio e desde então desenvolvi uma relação afetiva com esse museu maravilhoso. E quando me vali do bom salário e do fato de ser solteiro e não gastar com educação de filhos, me sobrava para comprar aquilo que eu gostava. Vi que podia comprar antiguidades greco-romanas, mas pensando que uma coleção não era uma mera reunião de peças, tentei comprar peças que tivessem articulações entre elas", contou o colecionador.
De acordo com o arqueólogo Pedro Von Seehausen, as peças gregas da coleção cobrem mil anos da história da Antiguidade Clássica, com exemplos de três estilos: o Arcaico, o Clássico e o Helenístico. A coleção foi montada, entre 1974 e 2004, a partir da aquisição de peças no Rio de Janeiro, São Paulo, Nova York, Londres, Paris, Amsterdã e Berlim.
O diretor do Museu Nacional, Alexander Kellner, entusiasmado com a coleção, disse que pretende realizar ainda este ano uma exposição - em lugar ainda a ser escolhido - para que o público tenha contato com o novo acervo e perceba que o museu, aos poucos, está realmente revivendo.
"Assim que a pandemia permitir, espero que na virada deste ano ou no comecinho de 2022 vamos apresentar essa coleção. Já conseguimos grandes aquisições e recuperamos algumas peças fantásticas. Imagina, que o Museu Nacional já tem uma baleia, que é impressionante. Também vamos receber 200 peças etnográficas, uma coleção africana, vinda de um museu da Áustria. Vamos tentar fazer uma exposição presencial. O Museu Nacional vive", disse Kellner.
Apesar de algumas paralisação nas obras por causa da pandemia, a reitora da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) Denise Pires de Carvalho, disse que os trabalhos seguem dentro do cronograma para a restauração e reconstrução do museu. Com o aporte de R$ 50 milhões do BNDES, com parcerias com o Bradesco e o Instituto Cultural Vale e o apoio da Unesco, deverão ser concluídas ainda em 2021 a restauração e ampliação da Biblioteca Central do Museu Nacional/UFRJ - que tem mais de 500 mil livros, sendo 1.500 peças raras - e do Jardim das Princesas.

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