
10/06/2021
O título desta coluna é um princípio adotado pela ONU durante a Eco-92 e que visa deixar clara a responsabilidade maior de governos, empresas e de determinados países mais emissores de gases de efeito estufa no enfrentamento dos desafios do desenvolvimento sustentável.
A mudança climática é tema central nos dias de hoje e oferece questões para todas as esferas de governo, além de outros agentes como empresas, organizações da sociedade civil e cidadãos. As cidades têm papel relevante, considerando a alta taxa de urbanização do Brasil (85%). São Paulo, como a maior cidade do país, é um laboratório de problemas e soluções e pode ser uma das referências no enfrentamento das mudanças climáticas.
A pesquisa lançada nesta semana sobre meio ambiente e a cidade, pela Rede Nossa São Paulo em parceria com o Ipec (Inteligência em Pesquisa e Consultoria) traz luz ao tema.
Muita preocupação, pouco conhecimento. A relação dos paulistanos com os assuntos relacionados ao meio ambiente pode ser resumida nessa proposição. Sete em cada dez pessoas dizem conhecer pouco ou nada sobre aquecimento global ou mudanças climáticas, o que dá uma ideia do tamanho do desafio que temos pela frente.
Mesmo assim, porém, 80% consideram a questão do aquecimento global ou mudanças climáticas muito importante e 62% declaram ter muita preocupação com o tema. O resultado indica tanto a importância da construção de programas e políticas públicas como de campanhas de informação da sociedade voltadas ao enfrentamento do aquecimento global.
É de se destacar a relação feita pela população entre tais fenômenos em nível mundial e a realidade brasileira, já que 81% dos entrevistados concordam totalmente ou em parte que o Brasil está perdendo credibilidade internacional por sua atuação em relação às mudanças climáticas e ao aquecimento global.
A relação entre o meio ambiente e a saúde está cada vez mais clara para a população. A maior parte dos entrevistados identifica o aumento de diversos tipos de doenças como consequência do desequilíbrio ambiental, como as cardiorrespiratórias (59%), dengue, zika, chikungunya (53%), e outras enfermidades transmitidas pela água contaminada (47%). Além disso, 63% concordam totalmente ou em parte que os problemas ambientais favorecem a existência de pandemias.
A pesquisa também avaliou a opinião dos paulistanos sobre a responsabilização das ações de combate aos problemas ambientais da cidade. Na opinião de quase a totalidade dos entrevistados (cerca de 90% na média de todas as opções), para além das esferas governamentais, as empresas, indústrias e a população de maior renda deveriam atuar na busca por soluções para os problemas ambientais da cidade.
Há também a percepção clara dos desafios individuais de cada cidadão: 61% concordam totalmente ou em parte que os seus hábitos de consumo estão relacionados com o desmatamento, o que chama atenção à conexão entre a responsabilidade pelas ações locais diante de seu impacto global.
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