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De onde vem o que eu uso: milho e mandioca viram plástico sustentável e até comestível

08/06/2021

A mandioca não é mais só para comer, e o etanol, álcool que vem da cana-de-açúcar, não serve apenas para o funcionamento de carros. Com as tecnologias do bioplástico, esses e outros cultivos dão novas utilidades para os produtos do agronegócio.
São alimentos, como o milho, a laranja e até mesmo o camarão, que se transformam em sacolas, talheres, copos, entre outros itens, que podem ser, inclusive, comestíveis e ajudar pacientes com Covid.
O diferencial do bioplástico é que ele proporciona uma fonte renovável para esta produção, feita a partir de alimentos, mas ele também possui problemas. Na comparação com o plástico comum, feito a partir do petróleo, ele é menos resistente e nem todos os tipos se decompõem rapidamente.
Além disso, as empresas que investem nas bioembalagens podem enfrentar dificuldades para atender uma demanda industrial e também acabar tendo que investir mais em equipamentos.
Atualmente, no mundo inteiro, uma área equivalente a 648 mil campos de futebol são voltados para esta indústria.
O grande ponto do bioplástico é que ele é feito com fontes renováveis, como frutos do mar e produtos da agropecuária, diferentemente do principal material do plástico comum, o petróleo, que um dia irá acabar, explica a pesquisadora do departamento de química da Universidade de São Paulo de Ribeirão Preto (USP-RB), Bianca Maniglia.
Nem todo bioplástico é biodegradável, apesar de alguns tipos se degradarem mais facilmente. Bianca conta que ser biodegradável nada mais é do que os produtos estarem prontos para serem consumidos por micro-organismos.
O milho e a mandioca, por exemplo, existem há milhares de anos, portanto os fungos e bactérias evoluíram o suficiente para se nutrirem de eles. Já o plástico tradicional foi inventado pelo homem há pouco tempo, deste modo os micro-organismos não conseguem consumi-lo, por isso ele demora até 500 anos para se degradar.
Mas, nem todo bioplástico se decompões rapidamente. Isso porque em alguns métodos eles passam por transformações e até mesmo se tornam novos componentes químicos, dificultando o consumo pelos micro-organismos.
Quando isto acontece, em alguns casos, os bioplásticos precisam das chamadas condições ideais para se degradarem. É o caso do ácido polilático (PLA), feito do amido fermentado e transformado em ácido lático.
A decomposição do PLA leva cerca de 2 anos, mas para isso são necessárias temperatura acima de a ambiente e muita água, segundo Francys Vieira, que realizou pesquisas sobre bioplásticos na Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) Instrumentação e atual professor da Universidade Federal de São Carlos (USFCar).
“Ainda assim, 8 meses a 2 anos (para se decompor), é pouco tempo comparado aos plásticos que levam 100, 200 anos...”, comenta.
Já outros tipos de bioplástico levam tanto tampo quanto o tradicional para se degradarem. Um exemplo é o polietileno verde, feito a partir do etanol, que nada mais é do que o álcool da cana-de-açúcar transformado em um novo componente. Muito comum nas sacolinhas usadas para armazenar hortifrútis, ele pode levar até 400 anos para se decompor.

Leia a matéria completa no G1

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