
08/06/2021
A Agência Nacional de Águas (ANA) atendeu a um pedido do Comitê de Monitoramento do Setor Elétrico (CMSE) e declarou na terça-feira dia 1º situação crítica de escassez dos recursos hídricos na Região Hidrográfica do Paraná, que abrange parte dos territórios de cinco estados (GO, MG, MS, PR e SP).
Na semana passada, o comitê emitiu um alerta de "risco hídrico" e abriu caminho para que fossem tomadas medidas que evitassem um racionamento de energia até outubro, período de poucas chuvas e de seca mais severa na região Sudeste e Centro-Oeste.
De acordo com resolução da ANA, a agência poderá definir condições transitórias para a operação de reservatórios ou sistemas hídricos específicos, inclusive com a possibilidade de alterar temporariamente condições definidas em outorgas de direito de uso de recursos hídricos.
A agência também criará um grupo técnico de assessoramento para acompanhar a situação da região hidrográfica do Paraná, que contará com a participação dos órgãos gestores dos recursos hídricos dos estados abrangidos.
O último período chuvoso, que acabou em abril deste ano, foi o mais seco em 91 anos. Com isso, o nível dos reservatórios das principais hidrelétricas do país está baixo, e o governo precisa acionar mais usinas termelétricas a fim de garantir o fornecimento de energia.
Na última quinta-feira, o Sistema Nacional de Meteorologia (SNM) já tinha emitido alerta sobre a emergência hídrica na Bacia do Paraná.
Segundo o SNM, “as perspectivas climáticas para 2021/2022 indicam que a maior parte da região central do país, a partir de maio até final de setembro, entra em seu período com menor volume de chuvas (estação seca)”.
Para Adriano Pires, presidente do Centro Brasileiro de Infraestrutura (CBIE), a declaração de alerta hídrico afasta risco de racionamento de energia, mas pode afetar o transporte e o turismo.
“É uma medida boa para tentar evitar o racionamento. Porém, quer dizer, do ponto de vista da economia não é boa porque vai afetar, por exemplo, a navegação dos rios”, disse Pires.
Nesta terça, o Comitê de Monitoramento do Setor Elétrico se reuniu para acompanhar a situação do fornecimento de energia do país.
O comitê defendeu a flexibilização das restrições hidráulicas das usinas hidrelétricas. A medida tem como objetivo o aumento do nível dos reservatórios e a continuidade do atendimento dos usos múltiplos da água.
A pedido do setor elétrico, a ANA já autorizou a redução da vazões dos seguintes reservatórios:
* Serra da Mesa (GO), no rio Tocantins;
* Caconde (SP), no rio Pardo;
* Porto Primavera (MS/PR) e Jupiá (MS/SP), no rio Paraná.
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