
01/06/2021
Em uma manhã fria de março de 1890, o farmacêutico e aficionado por teatro Eugene Schieffelin se dirigiu ao Central Park de Nova York carregado de gaiolas repletas de pássaros.
Levado por sua paixão pelas obras de William Shakespeare, Schieffelin abriu as gaiolas e soltou as aves.
O que aconteceu a seguir, no entanto, mudaria a ecologia dos Estados Unidos para sempre.
Mas qual é exatamente a relação do dramaturgo britânico com um problema ambiental em solo americano?
Os pássaros aparecem com frequência nas peças de teatro e poemas de Shakespeare.
"(Shakespeare) usa os pássaros para expressar a profundidade do sentimento romântico em Romeu e Julieta. Ele os usa ao expressar o grito das corujas à noite em Macbeth e Rei Lear. Ele os usa para fins dramáticos", diz à BBC Drew Lichtenberg, da Shakespeare Theatre Company.
Gralhas, corvos, corvos-marinhos, corujas, rouxinóis e cotovias estão entre as 60 espécies que aparecem nas obras do dramaturgo britânico, que durante séculos inspiraram os amantes das aves.
Schieffelin amava pássaros e também amava a obra de Shakespeare.
Imigrante alemão, ele era membro da Sociedade Americana de Aclimatação, que tinha como objetivo introduzir plantas e pássaros da Europa no "Novo Mundo", para gerar conforto e familiaridade na nova nação da América.
Assim, juntando suas duas paixões, Schieffelin decidiu que seria uma ótima ideia introduzir o maior número possível de pássaros mencionados pelo dramaturgo na América do Norte.
Naquela manhã de inverno em 1890, ele soltou 60 estorninhos no Central Park na esperança de que conseguissem se reproduzir.
A Sociedade Americana de Aclimatação já havia liberado outras espécies de pássaros — algumas comumente encontradas nas obras de Shakespeare, como rouxinóis e cotovias — mas nenhuma havia sobrevivido.
Um ano depois, Schieffelin soltou mais 40 estorninhos.
Não havia muita razão para acreditar que os estorninhos teriam mais sorte do que as outras espécies... mas aqueles cem estorninhos conseguiram prosperar.
Infelizmente.
Hoje há cerca de 200 milhões de estorninhos na América do Norte.
Agressivos e corpulentos, eles causam destruição nos habitats e nas plantações dos agricultores.
Estima-se que, a cada ano, esta espécie invasora gere quase US$ 1 bilhão em prejuízo às colheitas, principalmente de árvores frutíferas.
Eles são tão incômodos que estão entre as poucas espécies de aves que não são protegidas por lei.
Além disso, são um grande problema para o mundo da aviação.
Quando um bando de estorninhos colide com um avião, os efeitos são devastadores.
Em 1960, eles causaram o acidente por colisão com aves mais mortal da história da aviação.
Os pássaros entraram nos motores de um avião que decolava do Aeroporto Internacional de Logan em Boston, e a aeronave caiu, matando 62 pessoas.
Saiba mais no G1
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