
27/05/2021
O garimpo ilegal na Terra Yanomami, localizada na região Norte de Roraima, degradou cerca de 200 hectares de floresta - o equivalente a 200 campos de futebol - somente no primeiro trimestre deste ano. A informação foi divulgada pela Hutukara Associação Yanomami (HUY), por meio de relatório apresentado na terça-feira (25).
Imagens aéreas na região mostram áreas devastadas pelo avanço do garimpo ilegal. Segundo o documento, que o G1 teve acesso, foram registradas "crateras profundas, acampamentos colados a aldeias e até restaurante de garimpeiros".
Ao total, imagens de satélite indicam cerca de 2.430 hectares destruídos pelo garimpo. A associação nomeou o resultado da exploração ilegal na área indígena como a nova "Serra Pelada", lugar que ficou conhecido como o maior garimpo a céu aberto do mundo, localizado no Sudeste do Pará.
As imagens foram registradas durante dois sobrevoos realizados nos dias 7 e 9 de abril, informou a Hutukara. O relatório, que contém 47 páginas, também detalhou o registro de:
* Fotografias de alta resolução de acampamentos e canteiros;
* Fotos panorâmicas do impacto do garimpo no alto curso dos rios Catrimani, Mucajaí e Parima;
* Documentação da “currutela” - nome dado ao local onde ocorrem venda de bebida alcoólica e prostituição - do alto Catrimani;
* Identificação de uma pequena balsa em atividade no rio Ajarani;
* Verificação da continuidade da atividade garimpeira em zonas que receberam operações recentes;
* Flagrantes do uso de pistas comunitárias por parte dos garimpeiros nas regiões de Homoxi e Kayanau.
O documento também detalha todos os pontos da região onde há indícios evidentes da atividade mineradora ilegal. A primeira rota foi direcionada à porção central da Terra Yanomami, sobre os rios Apiaú, Catrimani e Ajarani e na Serra da Estrutura.
Já a segunda rota sobrevoou as comunidades de Aracaçá, Homoxi, Kayanau, Palimiú, Papiú, Parima, Waikás e Xitei.
A Terra Yanomami é palco de diversos ataques há anos. Em 1993, garimpeiros promoveram uma chacina contra os Yanomami, na qual 16 indígenas morreram. O episódio ficou conhecido como o Massacre de Haximu, tendo sido o primeiro caso de genocídio reconhecido pela Justiça brasileira.
Em junho do ano passado, outro conflito na Terra resultou na morte de dois jovens indígenas, de 20 e 24 anos. De acordo com o Conselho Distrital de Saúde Indígena Yanomami e Ye´kuana (Condisi-Y), os jovens estavam em um grupo de cinco indígenas quando se depararam com dois garimpeiros armados próximo a uma pista clandestina para pouso de helicóptero.
Leia a matéria completa no G1
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