
20/05/2021
Após meses de pesquisa, um grupo de cientistas anunciou ter coletado as informações "mais precisas" sobre os pontos mais profundos nos cinco oceanos do planeta.
Este é o resultado da expedição Five Deeps, que mapeou as maiores depressões do fundo do mar nos oceanos Pacífico, Atlântico, Índico, Ártico e Antártico com a tecnologia mais avançada que existe hoje.
Alguns desses locais, como a Fossa das Marianas, com 10.924 metros de profundidade, no oeste do Pacífico, já haviam sido pesquisados várias vezes.
Mas o projeto Five Deeps esclareceu algumas incertezas que ainda existiam.
Durante anos, no Oceano Índico, havia dois lugares que competiam como ponto mais profundo da Terra: uma seção da Fossa de Java, na costa da Indonésia, e uma zona de fratura no sudoeste da Austrália.
As rigorosas técnicas de medição empregadas pela equipe Five Deeps confirmaram que a de Java é o ponto mais profundo.
Mas esta seção da depressão, a uma profundidade de 7.187 m, fica a 387 km de distância do que se imaginava anteriormente.
Também no Oceano Antártico existe agora um novo lugar que devemos considerar o ponto mais profundo. É uma depressão chamada Abismo Fatoriano, no extremo sul da Fossa Sandwich do Sul, que tem 7.432 m de profundidade.
Há um local na mesma fossa, logo ao norte, que é ainda mais profundo (Depressão Meteoro, a 8.265 m), mas tecnicamente esse ponto fica no Oceano Atlântico, já que a linha divisória com a Antártica começa na latitude 60º sul.
O local mais profundo do Atlântico fica na Fossa de Porto Rico, um local denominado Depressão Brownson, a 8.378 m.
A expedição também confirmou os 10.924 m da Depressão Challenger, na Fossa das Marianas, como o ponto mais profundo do Pacífico à frente da Depressão Horizon (10.816 m), na Fossa Tonga.
Os novos dados de profundidade foram publicados em um artigo recentemente no periódico "Geoscience Data Journal".
Seu autor principal é Cassie Bongiovanni, da Caladan Oceanic LLC, a empresa que ajudou a organizar a missão Five Deeps.
A expedição foi liderada pelo investidor e aventureiro texano Victor Vescovo, que é reservista da marinha americana.
Ele queria se tornar a primeira pessoa na história a descer aos pontos mais profundos dos cinco oceanos e alcançou essa meta quando atingiu um lugar conhecido como Fossa Molloy (5.551 m) no Ártico, em 24 de agosto de 2019.
Mas em paralelo com Vescovo estabelecendo recordes em seu submarino, sua equipe de ciência estava tomando uma grande quantidade de medições de temperatura e salinidade da água em todos os níveis até o fundo do oceano.
Essa informação foi crucial para corrigir as leituras de profundidade feitas com o ecobatímetro (uma espécie de sonar usado para medir a profundidade no oceano) da nave de apoio do submarino.
As profundidades relatadas têm um alto nível de precisão, mesmo que venham com uma margem de erro de mais ou menos 15 m.
Leia a matéria completa no G1
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