UERJ UERJ Mapa do Portal Contatos
Menu
Home > Atualidades > Notícias
Derretimento do gelo da Groenlândia pode ser irreversível, apontam pesquisas

20/05/2021

Partes do manto de gelo da Groenlândia estão prestes a alcançar um ponto crítico a partir do qual será praticamente impossível deter seu derretimento. Devido às temperaturas ascendentes, já começou a desestabilização de áreas no centro-oeste da ilha, relatou o Instituto de Potsdam de Pesquisa Climática (PIK), com base em dados de pesquisadores alemães e noruegueses.
"Nossos resultados indicam que no futuro ocorrerá um derretimento significativamente maior, o que é muito preocupante", explicou o pesquisador Niklas Boers, do instituto sediado na Alemanha.
O fato se deve a efeitos de retroalimentação, em que o aquecimento do manto glacial se acelera à medida que sua altura se reduz.
Para evitar um derretimento total, não bastaria conter o aquecimento do planeta: para que a camada de gelo retorne à altura de séculos passados, as temperaturas teriam, antes, que baixar até níveis muito inferiores ao pré-industrial.
"Ou seja: a perda de massa de gelo atual e a esperada no futuro próximo será basicamente irreversível. Por isso, é mais do que hora de reduzirmos, rápida e decididamente, as emissões de gases do efeito estufa provenientes da queima de combustíveis fósseis, e de voltar a estabilizar o manto glacial e o nosso clima", apelou Boers.
O PIK explica que, segundo os modelos desenvolvidos até agora, a fusão do manto glacial groenlandês se torna incontornável se a temperatura média global exceder entre 0,8ºC e 3,2ºC o nível pré-industrial.
A partir desse limite crítico, a camada de gelo poderá se fundir inteiramente ao longo de centenas ou milhares de anos, resultando numa elevação de mais de 7 metros do nível do mar global, assim como num colapso da circulação meridional de capotamento do Atlântico (AMOC), responsável pelo calor relativo na Europa e na América do Norte.
Os 21 milhões de quilômetros quadrados da Região Ártica se estendem do Polo Norte ao Círculo Polar, distribuídos por oito países: Rússia, Finlândia, Suécia, Noruega, Islândia, a Groenlândia (pertencente à Dinamarca) e o estado americano do Alasca. O manto glacial groenlandês é o segundo maior do mundo, depois do da Antártida, no Polo Sul, e outros estudos também enfatizam a ameaça a esse importante ecossistema.
Por exemplo, uma pesquisa publicada nesta segunda-feira (17/05) pela revista Geophysical Research Letters mostra que a capacidade do gelo de refletir a luz solar também representa um papel importante: se a superfície gelada absorve mais calor – seja devido a uma redução da precipitação de neve ou à alteração da forma dos cristais de gelo –, o processo de derretimento é acelerado.
O Ártico e a mudança climática foram igualmente temas de uma visita do secretário de Estado americano, Anthony Blinken, à Dinamarca, onde conversou nesta terça-feira com a primeira-ministra Mette Frederiksen e o chefe da diplomacia groenlandesa, Pele Broberg.
Assim como as ilhas Faroé, a Groenlândia é basicamente autônoma, apesar de oficialmente pertencer ao reino dinamarquês. O derretimento do gelo facilita o acesso a jazidas de matérias-primas que tanto países vizinhos quanto distantes, como a China, gostariam de explorar.
Blinken também participará de um encontro ministerial do Conselho Ártico, a se iniciar nesta quarta-feira em Reykjavik. Na semana corrente, a Rússia assume da Islândia a presidência rotativa bianual do conselho. Antecipando a reunião de ministros na capital islandesa, o ministro russo do Exterior, Serguei Lavrov, advertiu o Ocidente contra ingerências no Ártico.

Saiba mais lendo a reportagem do G1

Novidades

Arara-azul e outras espécies ameaçadas são resgatadas em operação da PF contra tráfico de animais silvestres em Niterói; vídeo

16/07/2026

Animais silvestres e aves exóticas, incluindo uma arara-azul — espécie ameaçada de extinção —, uma a...

Antes de extração, projeto de petróleo na costa amazônica gera expansão de invasões

16/07/2026

No mesmo momento em que a Petrobras intensificava o ritmo de perfuração de um poço na costa amazônic...

Fundo de Catástrofes amplia apoio às vítimas das chuvas

16/07/2026

Mais de 48 mil pessoas afetadas por chuvas e outros eventos climáticos extremos receberam apoio do F...