
18/05/2021
Uma iniciativa de recuperação e plantio de corais em Porto de Galinhas, em Pernambuco, pretende, além de recuperar colônias degradadas desses seres vivos, incrementar o turismo local.
O trabalho do projeto começa com pedaços de corais quebrados e debilitados, com até 50% de tecidos perdidos —mas ainda vivos—, que são encontrados no assoalho marinho.
Esses pequenos animais são então colocados em bases de plástico biodegradável feitas com impressão 3D. Não qualquer peça, mas uma que, a partir de protuberâncias, ajude no crescimento do ser vivo.
O passo seguinte é a fixação dessas bases com pedaços de coral em uma espécie de berçário. É ali que os seres irão se recuperar e voltar a se desenvolver.
A última fase, já testada em um projeto piloto, é a fixação definitiva da base e do coral recuperada em algum local propício no mar.
Como você deve imaginar, o processo é muito mais complexo do que esse pequeno passo-a-passo faz parecer.
O projeto, chamado de Biofábrica de Corais e desenvolvido por pesquisadores do Laboratório de Enzimologia Luiz Accioly da UFPE (Universidade Federal de Pernambuco), até o momento já consegue trabalhar animais das espécies Millepora alcicornis, conhecido como coral-de-fogo, e o endêmico do Brasil Mussismilia harttii, o coral-vela ou coral couve-flor —classificado como em risco de extinção.
Nesse momento, os berçários estão em três piscinas naturais de Porto de Galinhas com condições favoráveis para o desenvolvimento dos animais. Rudã Fernandes, coordenador técnico da Biofábrica, diz que agentes comunitários e jangadeiros ajudam a tomar conta desses locais para evitar acidentes com curiosos.
Mas, ao mesmo tempo, curiosos podem ser de grande ajuda nesse tipo de projeto e para a conservação geral de corais, segundo Vinicius Nora, analista de conservação da ONG WWF - Brasil.
Uma das ideias relacionadas à plantação de corais —e parte do projeto Coralizar, iniciativa da WWF e do Instituto Neoenergia— é incentivar o turismo local, com participação de hotéis, pousadas e outros estabelecimentos. Esses locais poderiam hospedar aquários com corais em recuperação, por exemplo.
Há possibilidades que vão bem além disso, porém.
O Coralpalooza —uma brincadeira que faz referência ao festival de música Lollapalooza— é um evento que ocorre na Flórida, nos Estados Unidos, e que busca atrair pessoas para participar da recuperação de corais.
“Você está desenvolvendo um novo nicho de mercado”, diz Nora, ao falar sobre a possibilidade de uso turístico da recuperação de corais. “Nosso projeto vai trazer uma proposta de modelo socioturístico que se desenvolva a partir da restauração de corais. Isso já é realidade em outros lugares do mundo.”
O Coralizar conta com um investimento de cerca de R$ 800 mil. O início ocorreu em 2019 e, inicialmente, o projeto iria até 2021. “Não temos nenhuma intenção de pausar. Nós acreditamos em projetos de média a longo prazo. Temos tudo para dar continuidade ao Coralizar”, diz Renata Chagas, diretora-presidente do Instituto Neoenergia.
“Eu não imagino que haja mudanças, mas eu não consigo garantir. Depende do que vem de fora [a Neoenergia faz parte do grupo espanhol Iberdrola] e de orçamento, mas a nossa intenção é dar continuidade.”
O projeto Biofábrica de Corais é apoiado pelo Coralizar e também recebe financiamento da Fundação Grupo Boticário, do Uber, do Instituto Serrapilheira e da WWF. A iniciativa conta com a parceria da UFPE (Universidade Federal de Pernambuco), UFRPE (Universidade Federal Rural de Pernambuco) e da Nautilus. Segundo Nora, a ideia é tentar acelerar a Biofábrica, que deve tomar a forma de uma startup.
Quer saber como se faz esse replantio? Acesse a Folha de S. Paulo
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